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Correio da Manhã

Cultura
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Pabllo Vittar: “Desde pequeno percebi que era diferente”

Phabullo Rodrigues da Silva é a drag queen mais famosa do Brasil. Agora vem a Portugal.
Miguel Azevedo 23 de Abril de 2019 às 18:18
Pabllo Vittar
Pabllo Vittar FOTO: Direitos Reservados
Como é que o tratamos: ‘o’ Pabllo Vittar ou ‘a’ Pabllo Vittar?
‘O’ Pablo, por favor. Eu sou homem.

Mas há uma identidade artística diferente da identidade pessoal?
A Pablo Vittar é apenas uma extensão da minha personalidade. Ela está dentro de mim e é colocada para fora quando estou em palco, no estúdio ou a gravar os meus vídeos.

E quando desce do palco quem é?
Acho que continuo a ser a Pablo. Acho que ela só vai embora quando eu tiro a peruca e tomo banho [risos].

Como é que é um espetáculo da Pablo Vittar?
É um espetáculo muito quente e com muita energia. Quem está triste ou a precisar de uma carga de energia no sangue tem de ir no meu espetáculo. Nunca mais vai esquecer.

O Pablo esteve em Portugal no ano passado. Como foi?
Eu estive pouco tempo em Portugal porque fui a trabalho, mas a experiência foi incrível. Quando regressei ao Brasil, disse a todos que precisava de pelo menos uma semana em Portugal, para conhecer o país, a comida e os fãs.

Com que ideia ficou? Portugal está mais avançado ou atrasado do que o Brasil na aceitação das ‘drag queen’?
Eu não percebi muita coisa. O que posso dizer é que fui muito bem recebido.

Já se referem a si como um ícone pop. Isso é um motivo de orgulho ou um peso?
É um orgulho. Eu sempre desejei isto e agora consegui-o através do meu trabalho. Recebo muitas mensagens de pessoas que me dizem que estão felizes por causa da minha música, que se libertaram e que se auto-aceitaram. E isso só pode ser um motivo de orgulho.

Mas há pessoas que se vestem e se pintam de forma igual e que o seguem para todo o lado. Como lida com isso?
Isso é muito doido, mas é muito legal ao mesmo tempo. Eu também fazia isso com os artistas de que gostava quando era criança. Hoje, sei que sou um ídolo para muita gente.

O que mudou na sua vida com a fama e a popularidade?
Mudou muita coisa. Hoje, por exemplo, posso ajudar a minha família. O grande problema é que eu neste momento quase não posso sair à rua.

É muito assediado pelos fãs?
Sim, mas isso é uma coisa que se leva bem. O pior da fama é mesmo quando inventam mentiras com o meu nome.

Qual foi a pior mentira que já inventaram sobre si?
Já escreveram tantas coisas que não eram verdade. Há coisas muito idiotas. Já falaram que eu estava grávida, por exemplo.

Quando é que o Pablo percebeu que era diferente dos outros?
Desde sempre, desde pequeno sempre percebi que era diferente dos outros meninos. Eu sempre senti que havia qualquer coisa especial em mim, contra a qual eu não podia ir.

E que coisa é essa?
É o que eu sinto ainda hoje, uma paixão pela vida e uma vontade enorme de me mostrar e de não me esconder das pessoas.

E assumir isso perante a sua família foi fácil?
Na verdade eu nunca precisei de me assumir. Eu sempre fui assim. A minha mãe, por exemplo, sempre me aceitou. Quem estava comigo e quem me amava, respeitava-me.

Mas teve de assumir a sua sexualidade!
Não. Nunca. Quando fui contar para a minha mãe, ela disse que já sabia. E isso para mim foi o mais importante. A minha mãe foi muito especial e ajudou-me muito quando aos 18 anos decidi cantar vestida de drag.

Uma pessoa do interior do Brasil terá certamente enfrentado muitos preconceitos. Como é que lidou com eles?
Tive de enfrentá-los com muitos pensamentos positivos e distanciando-me de quem me fazia mal.

Que tipo de preconceitos é que sofreu?
De todo o tipo que se possa imaginar. Preconceito pela minha sexualidade, pela minha voz aguda. Tanta coisa.
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