No ano em que Espanha assinala os 25 anos da chegada do mural ‘Guernica’, de Pablo Picasso, e comemora o 125.º aniversário do nascimento do famoso pintor, os dois mais importantes museus de Madrid – do Prado e Rainha Sofia – inauguram hoje uma exposição retrospectiva única.
Intitulada ‘Picasso. Tradição e Vanguarda’, a mostra apresenta mais de 100 obras realizadas ao longo da vida produtiva de Picasso e que reflectem todo o seu percurso artístico. Algumas das pinturas, que procedem de museus e colecções internacionais, são apresentadas, pela primeira vez, em Espanha.
Todas as fases do pintor estão representadas nestes trabalhos: desde os períodos azul e cor-de-rosa ao cubismo, passando pela recuperação do estilo clássico nos anos 20, a sua relação com o movimento surrealista, os difíceis anos entre a Guerra Civil espanhola e a II Guerra Mundial até às décadas mais produtivas.
ANO DE ANIVERSÁRIOS
O Museu do Prado expõe um conjunto de obras importantes de Picasso ao lado de uma selecção de trabalhos de antigos mestres representados nas colecções deste espaço museológico.
El Greco, Goya ou Manet foram apenas trêss dos grandes pintores universais admirados por Picasso, que frequentemente os introduzia pictoricamente nas suas obras.
Neste diálogo com o passado, destacam-se obras como ‘A Vida’ (1903), ‘Menino com cavalo’ (1906), ‘Auto-retrato com paleta’ (1906) ou ainda ‘Meninas’ (1957).
No Museu Rainha Sofia, o mural ‘Guernica’ e a sua história são o tema da exposição, patente ao público até 3 de Setembro. Estas obras foram uma resposta do artista face às dramáticas e trágicas circunstâncias das guerras e as suas consequências.
Esta mostra reúne a colecção completa de pinturas e desenhos que constituem o legado Guernica. Além do mural, estão igualmente presentes ‘O Ossário’ (1945) e ‘Massacre na Coreia’ (1951), obras que condenam a violência bélica.
Esta exposição evoca os 25 anos da chegada do famoso mural ‘Guernica’ a Espanha, ocorrida em 1981 procedente do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, onde fora confiada, temporariamente, pelo pintor.
Por expressa vontade de Pablo Picasso, ‘Guernica’ só deveria ficar em Espanha quando o país fosse livre e democrático. O que aconteceu após a morte do general Franco, em 1975.
CONTRA A GUERRA
‘Guernica’ foi realizado por Picasso por encomenda do Governo da República para o Pavilhão de Espanha na Exposição Universal de Paris de 1937. Estava-se em plena Guerra Civil espanhola. A 27 de Abril de 1937, os aliados de Franco bombardearam a pequena aldeia basca de Guernica, deixando, ao fim de três dias, 1600 pessoas mortas ou feridas.
Através do mural, Picasso exprimiu toda a sua revolta e indignação e a sua intenção era oferecer a obra ao povo espanhol mas sob uma condição: o país tinha de ser livre e democrático. À sua chegada, o mural ficou exposto, primeiro no Museu do Prado, e, depois, no Museu Rainha Sofia, que actualmente o mostra.
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