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A minha mulher não tem nada a ver com isto

O ex-presidente do Vitória de Guimarães, Pimenta Machado, repudiou ontem que a sua mulher tenha sido envolvida no processo em que é acusado de apropriação ilícita de dinheiro em negócios do clube.
7 de Janeiro de 2005 às 00:00
Em causa estarão mais de 820 mil euros, montante que o ex-dirigente considerou “uma ninharia” em face da valorização patrimonial da colectividade ao longo dos seus 24 anos de presidência.
“A minha mulher não tem nada a ver com isto. É farmacêutica e tem uma loja aberta”, sublinhou Pimenta Machado, perante a dedução de acusação por parte do MP, que indicia o ex-presidente da prática de quatro crimes de peculato e dois de falsificação de documentos, num processo em que o ex-presidente do Benfica Vale e Azevedo surge também como arguido, tal como a mulher do dirigente vimaranense que, segundo apurou o CM, foi na sua conta bancária que foram depositados os três milhões de euros pagos pelo Sporting ao V. Guimarães na transferência de Pedro Barbosa e Pedro Martins.
Numa investigação desenvolvida pela Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) da Polícia Judiciária de Lisboa, – que levou à detenção de Pimenta Machado em 2002 e à prestação de uma caução de 500 mil euros – o MP acabou por arquivar vários processos por alegada falsificação, nomeadamente de actas para venda de terrenos do clube e que envolvia outros antigos dirigentes – agora ilibados.
No entanto, o MP deu seguimento a acusações relativas à gestão de dinheiros resultantes da transacção de jogadores. O caso Fernando Meira – vendido ao Benfica, quando era presidido por Vale e Azevedo – encontra-se à cabeça, mas estão também em causa negócios de outros jogadores vimaranenses, com o envolvimento da Sportmedia – empresa do paraíso fiscal de Niue, ilha do Sul do Pacífico.
No entanto – no meio de várias críticas à PJ e ao Ministério Público –, Pimenta Machado realça que o negócio de Meira nem sequer foi tratado com Vale e Azevedo, com quem se encontrava incompatibilizado, mas sim com o juiz-desembargador Cândido Gouveia e José Capristano. Além disso, sublinhou que, dos mais de cinco milhões de euros que inicialmente o acusavam de ter prejudicado o Vitória, acabaram em cerca de 820 mil euros. “Isso seria uma ninharia, comparado aos mais de 70 milhões de euros com que deixei a valer o clube, depois de 24 anos”, atirou Pimenta.
LIBERDADE DE IMPRENSA
O ex-presidente do Vitória de Guimarães sentou-se ontem no banco dos réus, a responder pelo crime de atentado à liberdade de Imprensa. O caso remonta a 28 de Fevereiro de 2001, quando impediu a presença de dois jornalistas do jornal ‘Comércio de Guimarães’ na conferência de Imprensa de apresentação de Augusto Inácio. Depois de duas faltas, ontem apareceu.
VALE E E AZEVEDO INDIGNADO DEFENDE-SE
Vale e Azevedo desmentiu ontem, em comunicado, qualquer acusação de falsificação de documentos na transferência de Fernando Meira para o Benfica, num processo em que está envolvido também Pimenta Machado. Na nota divulgada à Comunicação Social,Vale e Azevedo condena a violação do segredo de Justiça neste processo e esclarece as razões por que nada tem a ver com este caso. “A transferência do atleta profissional de futebol Fernando Meira do V. Guimarães para o Benfica não foi negociada por mim”, revela o ex-presidente. No documento, Vale garante que nas negociações, o clube da Luz “foi representado por José Capristano, então ‘vice’ para o futebol, e por Cândido Gouveia, na altura presidente do Conselho Fiscal”.
Mais à frente, Vale assegura que “o preço da transferência incluiu um pagamento inicial em dinheiro efectuado pela SAD do SLB e várias prestações por letras da mesma SAD, mas avalizadas pessoalmente por José Capristano e Cândido Gouveia”. Por isso, diz Vale no comunicado, “é falso que tenha sido acusado de ter praticado qualquer crime (seja de peculato, falsificação ou outro) relacionado com a referida transferência do futebolista Fernando Meira”, esclarecendo de seguida as razões do seu envolvimento neste caso. “A minha surpreendente, insólita e inexplicável ‘aparição’ neste processo nada tem a ver com Pimenta Machado (...), ou a transferência do futebolista (...)” e “resume-se à outorga em 1996 (ou seja, em data anterior à minha presidência no SLB) de uma escritura de constituição de uma SGPS em representação de uma outra sociedade (...) e a um aumento de capital dessa mesma SGPS ocorrido em 2000, onde nem sequer tive qualquer intervenção”.
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