Antigo candidato à presidência do Benfica defende que "nem todos os árbitros precisam de mentores pós-jogos"
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João Diogo Manteigas, antigo candidato à presidência do Benfica, recorreu esta manhã ao 'LinkdIn' para reagir à notícia do Record que deu conta de que o FC Porto deixou o Estádio da Luz mais de duas horas após o final do clássico (2-2) devido a uma reunião de João Pinheiro com Lucílio Baptista sobre o trabalho efetuado na partida. Na opinião de João Diogo Manteigas, "nem todos os árbitros precisam de mentores pós-jogos", principalmente os internacionais, considerando que "parece uma consulta de psicologia imediata para dar conforto nos erros e moral para o futuro". Para o advogado falta "mais vigilância, sobretudo de fora para dentro" e o público em geral deveria ter acesso aos "relatórios", às "avaliações", à "justificação para a nomeação em determinados jogos" e às "comunicações VAR", defendendo por isso a existência de um "regime jurídico para os árbitros".
Leia a publicação de João Diogo Manteigas na íntegra:
"Nem todos os árbitros precisam de mentores pós-jogos, sem desprimor pela valência de programas de mentoria aplicadas noutras vertentes e/ou áreas de negócio. Aos árbitros mais novos, até se pode aceitar que faça sentido. Até determinado ponto. Mas para árbitros internacionais, já com experiência de jogos de nível (e risco) elevado, isto mais parece uma consulta de psicologia imediata para dar conforto nos erros e moral para o futuro.
Em pós-jogos, a pressão que os árbitros sofrem por erros cometidos VS a sua eventual satisfação pessoal pelo trabalho realizado, o escrutínio a que vão ser sujeitos com influência mediática (em particular, pelos media), os eventuais comunicados ou até protestos oficiais apresentados pelas SAD ao abrigo dos regulamentos de arbitragem, acrescido da avaliação a que serão sujeitos na semana seguinte no centro da Maia (a norte) e na casa das seleções (a centro-sul) ... faz parte da sua preparação e molda-os para se assumirem como verdadeiros “profissionais”.
Mas isto não é suficiente. Falta mais vigilância. Sobretudo, de fora para dentro. Dos Clubes e Sociedades Desportivas. Não só dos membros do Conselho de Arbitragem ou dos diretores técnicos da Federação ou da Liga nomeados para aquele efeito. Todos têm uma palavra para ajudar a definir o sistema (num sentido não pejorativo).
É necessário que o público em geral - sócios, adeptos, jornalistas, demais interessados - tenham acesso aos (i) relatórios dos observadores dos árbitros, (ii) às avaliações que determinam as descidas e subidas de categorias (árbitros e VAR), (iii) à justificação para a nomeação em determinados jogos para se apurar a existência de "desvios padrão” (exemplo: se o mesmo árbitro tiver sido nomeado várias vezes para os jogos da mesma equipa), (iv) às comunicações “VAR” para detetar em debate, livremente e sem rodeios, se o critério esteve correto e conforme as regras, se houve falha grave e/ou se seria perfeitamente possível ter evitado eventual erro grosseiro.
Tudo isto pode começar a ser resolvido com a criação de uma Lei para a arbitragem e dar execução ao trabalho de 2011 da secretaria de estado do desporto e juventude (“Árbitros e Entidades Equiparadas, Avaliação da Actividade e eventual “Profissionalização”).
Exige-se um regime jurídico para os árbitros: recrutamento, formação, regras deontológicas e regime de incompatibilidades. Tem que haver equiparação legal entre os atletas, treinadores e árbitros".
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