Presidente exige aprovação de mudança de estatutos e voto de confiança com mais de 75% dos votos.
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Menos de um ano depois da eleição para um segundo mandato como presidente do Sporting, Bruno de Carvalho colocou a sua continuidade nas mãos dos sócios, que vão pronunciar-se em Assembleia Geral (AG) marcada para sábado.
A contestação na última AG, em 3 de fevereiro, às alterações dos estatutos e do regulamento disciplinar propostas pelo Conselho Diretivo precipitou este 'tudo ou nada' com que Bruno Carvalho confrontou os sócios do Sporting depois de cinco anos de gestão dos destinos 'leoninos'.
Bruno de Carvalho retirou os pontos da discussão, abandonou a reunião magna e, dois dias depois, alegando inexistência de condições para o debate, e queixando-se de ingratidão e de falta de apoio, anunciou outra AG para votar novamente estas duas propostas e a sua própria continuidade na liderança do clube de Lisboa.
Entre as alterações aos estatutos preconizadas pela direção está a criação de um conselho estratégico, composto no máximo por 15 elementos escolhidos pelo presidente da direção e que substituirá o Conselho Leonino, órgão consultivo com 50 membros que Bruno de Carvalho se propõe extinguir no final do mandato.
As mudanças no regulamento disciplinar preveem um agravamento do período máximo de suspensão de sócios de um para oito anos para infrações às normas, além de novas redações relativas aos deveres dos sócios, definindo uma série de atos e comportamentos que serão considerados lesivos para o Sporting.
Às críticas apontadas, nomeadamente querer ter controlo absoluto do clube e desejar eternizar-se no cargo, Bruno de Carvalho respondeu com a marcação de uma nova AG, reagendando a votação destes pontos e, em simultâneo, pondo a continuidade dos órgãos sociais nas mãos dos sócios, com a fasquia bem elevada.
O presidente do Sporting anunciou que se demite de imediato no caso de um dos dois primeiros pontos não passar, o que acontece se não tiverem 75% de votos favoráveis, como determinam os estatutos, e definiu a mesma margem para se manter no cargo, assegurando que, se sair, não se recandidata. "Nunca mais voltarei", afirmou.
Pedro Madeira Rodrigues, candidato derrotado nas eleições de março de 2017, definiu a situação como uma "birra" e uma "patética chantagem" de Bruno de Carvalho, considerando que o presidente do Sporting está a produzir "um golpe para conseguir o fim da liberdade crítica" no clube.
"Os objetivos das mudanças propostas são evidentes: silenciar, controlar e perseguir quem discorde de si e perpetuar-se no poder", defendeu Madeira Rodrigues, que estará ausente da AG de sábado.
Na quinta-feira, dois dias antes da nova reunião plenária, Bruno de Carvalho esteve no Cazaquistão, onde assistiu à vitória do Sporting sobre o Astana (3-1), na primeira mão dos 16 avos de final da Liga Europa, e manifestou tristeza por sentir que pode ser o seu último jogo como presidente do Sporting.
"Acho que as pessoas ainda não perceberam o que está em causa. Está em causa uma questão de gratidão, reconhecimento e confiança. Continua a haver muitas dúvidas. (...) Os estatutos tiram-nos margem financeira, dão-nos responsabilização ao nível de futuras eleições, [temos] um regulamento disciplinar sem a menor questão, igual a tantas outras empresas. (...) É uma tristeza se no dia 17 não houver o reconhecimento do trabalho que temos feito. Mas saio de cabeça erguida", disse.
O futuro do Sporting joga-se a partir das 14h00 no Pavilhão João Rocha - um legado do mandato de Bruno de Carvalho - e a definição será feita por voto secreto, com três boletins depositados em urna. Se a capacidade do recinto não for suficiente, será também utilizado o 'vizinho' multidesportivo.
Caso se verifique a queda dos órgãos sociais, o artigo 46.° dos estatutos prevê a marcação de eleições para data não posterior a 45 dias a contar da cessação do mandato.
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