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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

A matraca

“O Criador foi particularmente infeliz quando lançou no mundo as crianças sem botão de one off”

08 de abril de 2012 às 01:00

Isto só acontece com os meus filhos, ou será que todos os miúdos quando ficam com febre conseguem debitar mais palavras por segundo do que Pacheco Pereira na ‘Quadratura do Círculo’? O Gui teve febre durante três noites consecutivas. Nada de grave. Ele está óptimo e nós também, excepto aquele talhão do meu cérebro que deverá entretanto ter falecido por falta de descanso. Mas não é para me queixar disso que eu hoje estou aqui (por incrível que possa parecer). Ao fim de oito anos de paternidade, o assassínio em massa dos meus neurónios já nem sequer chega a ser notícia.

Ao invés, o meu objectivo de hoje é tentar demonstrar como uma criança com febre consegue ser uma coisa extremamente divertida se conseguirmos manter o sentido de humor às três e meia da manhã. Portanto, voltemos à febre do Gui. A parte má da sua minidoença é que acabou por vir parar à minha cama no início da madrugada (claro), na clássica "posição cachorro": uma pequena salsicha ainda quente (ele) entalada entre dois bocados de pão (eu e a minha mulher). Como é óbvio, até eu me levantar da cama a pequena salsicha levou o tempo todo a enfiar-me pontapés como se fosse um Bruno Alves em dia de má disposição.

Mas há uma parte boa. Muito boa, aliás: é que mal o corpo do Gui sobe acima dos 38 graus a sua boca começa a matraquear conversas a velocidades estonteantes. Já se sabe que o Criador foi particularmente infeliz quando lançou no mundo as crianças sem botão de on e off, e o meu filho Gui já é bastante difícil de calar a 37 graus Celsius. Um grau acima e é a loucura. O puto parece que está bêbado.

Ele fala, ele canta, ele inventa histórias, ele cola as frases umas às outras, ele mastiga os pontos finais, atropela as vírgulas, metralha palavras, numa babugem tal que, se não fosse o adiantado da hora, dava para gravar e vender para os ‘Apanhados’. Se algum vizinho me batesse à porta e visse aquilo, iria ficar a pensar que um de nós (adivinhem qual) tinha despejado uma garrafa de vodka no leite do miúdo. E, de facto, até o ‘ben-u-ron’ fazer efeito, o resultado é um puto a delirar e dois progenitores a rirem-se à gargalhada, numa bebedeira de sono tripla. As febres do Gui são como ir para os copos com um filho de quatro anos, mas sem nunca sair da cama. E ainda dizem que a paternidade não é uma coisa divertida.

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