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Artigo exclusivo

A outra verdade sobre um crime

Truman Capote (1924-1984) aborda um crime violento cometido no Kansas rural como um jornalista disposto a contar tudo o que vê. Quem o lê não esquece.

19 de abril de 2026 às 01:30

Ir, ver e contar – talvez seja esta a regra de ouro da reportagem enquanto “género jornalístico” por excelência, e por extensão, enquanto “género literário”. A questão está no chamado grau de veracidade exigido ao jornalismo, mas da qual a literatura não depende. Esta discussão é interminável e vem desde muito antes de ‘A Sangue Frio’, o romance que eternizou o nome de Truman Capote nos registos de ambas as designações: jornalismo e literatura. O seu livro (publicado em 1966, mas reproduzido em 1965 como artigo em quatro partes na revista ‘The New Yorker’) poderia ter sido simplesmente incluído na categoria de ‘novo jornalismo’ – onde os nomes mais sonantes eram os de Gay Talese, Norman Mailer ou Tom Wolfe – , mas Capote quis mais e designou-o por “romance de não ficção”. O desejo de Capote não era o de pertencer à classe trabalhadora do jornalismo, mesmo o dessa alta categoria do ‘new journalism’, mas o de ser um dos príncipes da literatura em Nova Iorque depois de eliminar os seus inimigos. O seu primeiro sucesso de relevo foi ‘Breakfast at Tiffany’s’ (‘Boneca de Luxo’), uma espécie de biografia de Holly Golightly, a jovem que transita de festa em festa, de companhia em companhia, de desejo em desejo – e que recordamos como Audrey Hepburn, que a interpretou no cinema. Houve certa especulação sobre quem era realmente Holly Golightly; esse tipo de debate acompanhou toda a vida de Truman Capote, que se inspirava sempre em pessoas reais, conhecidas ou reconhecíveis – esse era o picante de tudo o que Capote escrevia, pelo menos até terminar com o conto ‘La Côte Basque 1965’, que abre originalmente ‘Súplicas Atendidas’, o romance que nunca terminou (foi publicado dois anos depois da sua morte) e que consistiu no seu “suicídio social”, a derradeira tentativa de Capote se manter à tona da água, retratando as “pessoas famosas” da cidade e da época, julgando que ia ser apreciado. Elas não gostaram. A decadência de Capote acelerou-se, com álcool e drogas, até à morte.

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