Hayao Miyazaki e o Estúdio Ghibli revolucionaram a animação japonesa e transformaram-se numa escola que é hoje referência até da Disney.
O desenho animado japonês existe pelo menos desde 1917, ano do primeiro filme conhecido - ‘O Porteiro Imokawa Mukuzo' -, uma curta-metragem de Oten Shimokawa realizada com papel recortado (o celuloide seria usado pela primeira vez só em 1933). Durante a II Guerra Mundial há uma grande produção de curtas de animação de propaganda anti-americana, com destaque para ‘Momotaro, a Águia dos Mares' (1943) e ‘O Soldado Divino' (1944), ambos de Mitsuyo Seo, onde os americanos eram representados como malvados Popeyes. No entanto, seriam esses mesmos americanos que, depois da guerra, iriam relançar os estúdios através da produção de filmes de propaganda aos ideais democráticos, com destaque para a série ‘Tora-Chan, o Gato Vadio' (1947-1950), um gato vadio adoptado por uma família, de quem se torna conselheiro, com uma solução progressista para as mais diversas situações da vida japonesa. Mas foi com a fundação da Toei em 1951 (com a pretensão declarada de ser a ‘Disney do Oriente') que o desenho animado japonês se lança na produção da sua primeira longa-metragem - ‘A Serpente Branca' (1958), de Kazuhiro Okabe e Taiji Yabushita -, filme que iria marcar os espíritos dos futuros protagonistas do cinema de animação nipónico, nomeadamente de Hayao Miyazaki.
Bestiário
Antes, com o advento da TV e pela mão de Osamu Tezuka, um antigo empregado da Toei, o cinema de animação japonês passaria por um dos seus períodos mais icónicos e menos interessantes, com a criação da série ‘Astro Boy' (1963), onde os personagens praticamente não têm movimento e os planos fixos se alternam com o decorrer da acção, e é este princípio que, sob diversas nuances, vai ser seguido e modelar toda a posterior produção acelerada e barata de conteúdos animados para televisão, incluindo a da própria Toei. E é da Toei que saem, insatisfeitos com a sua visão estritamente comercial e com a falta de liberdade artística que a sua direcção muito hierarquizada impunha, Isao Takahata e Hayao Miyazaki, que viriam a fundar o estúdio Ghibli em 1985, produzindo filmes de grande qualidade artística e, simultaneamente, de êxito comercial por todo o mundo. Mas tudo começou um pouco antes, quando em 1982 Miyazaki iniciou o desenho de um manga que se tornou um acontecimento local, ‘Nausicaä do Vale do Vento', e que decidiu transformar em desenho animado (1985), vendo esse sucesso multiplicar-se. Criado, então, o estúdio Ghibli, sucedem-se ‘O Castelo no Céu' (1986), ‘Meu Vizinho Totoro' (1988), ‘Kiki, a Aprendiz de Feiticeira' (1989), ‘Porco Rosso, o Porquinho Voador' (1992), ‘Princesa Mononoke' (1997), ‘A Viagem de Chihiro' (2001), ‘O Castelo Andante' (2004), ‘Ponyo à Beira-Mar' (2008) e finalmente ‘Levanta-se o Vento' (2013), anunciado como o derradeiro filme de Miyazaki, onde a humanidade é representada como destruidora implacável e cega da Natureza e simultaneamente como um conjunto frágil de ligações afectivas entre personalidades complexas, impotentes perante o mecanismo da sua própria destruição. Tudo numa narrativa com tanto de naturalista como de fantástico, cheia de heroínas, de máquinas extraordinárias a desafiarem as leis do espaço e de um fascinante bestiário de criaturas híbridas. Obras-primas a descobrir!
Livro
‘Nove histórias'
Alguns dos contos mais célebres publicados por J. D. Salinger na revista The New Yorker, desde ‘Um Dia Ideal para o Peixe-Banana' de 1948, originalmente compilados e editados em livro em 1953, logo após o seu primeiro e único romance, o aclamado ‘À Espera no Centeio', e que são um belo exemplo da escrita pura e grave do autor.
autor JD Salinger
editora Quetzal
Filme
‘Lovelace'
A biografia de Linda Boreman, aliás Linda Lovelace, actriz que protagonizou o cultíssimo filme porno de 1972, ‘Garganta Funda', com destaque para os tempos da prostituição de luxo, onde foi iniciada pelo namorado proxeneta, para os anos de estrela X e para o período de activismo contra a indústria pornográfica.
realizador Rob Epstein & Jeffrey Friedman
Em exibição nos cinemas
Disco
‘Join the Dots'
Segundo álbum da banda de Brighton, marcando o seu afastamento em relação ao post-punk dos ‘The Horrors', que lhe assombrou o homónimo disco de estreia de 2012, ao assumir de forma mais descarada as sonoridades krautrock e psicadélicas que, já estando no seu ADN musical, vinham sendo relegadas para um plano subalterno.
Autor Toy
Editora Heavenly Recordings
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.