Mito começa logo no título - o livro original não passa das 282 noites.
‘As Mil e Uma Noites’ é um livro mítico da história da literatura universal. O manuscrito mais antigo data do século XIV, escrito na Síria, e consiste numa recolha anónima de contos que pelo menos desde o século IX fazem parte da tradição oral árabe.
Na base da obra está uma história de sexo e sangue: um califa despeitado pela infidelidade da sua mulher decidiu não voltar a ser enganado.
Passou a dormir todas as noites com uma virgem, que mandava decapitar na manhã seguinte. Até que uma das eleitas, Xerazade, conseguiu fugir ao destino conquistando a atenção do califa contando-lhe histórias que deixava em ‘suspense’ para a noite seguinte, em troca de mais um dia de vida.
O mito começa logo no título: as 1001 noites são na realidade apenas 282, tantas quantas as que fazem parte da recolha original, disse à Domingo Hugo Maia, responsável pela primeira tradução direta do árabe publicada em Portugal.
Algumas das histórias mais conhecidas, como ‘Ali Babá e os 40 Ladrões’, ‘Aladino’ ou ‘Sindbad’ não fazem parte da lista original, tendo sido acrescentadas pelo tradutor da primeira edição francesa (1704-1717), Antoine Galland, que também se encarregou de censurar as passagens eróticas do texto.
Maia dá o exemplo da ‘História do carregador e das três moças de Bagdade’, em que uma orgia foi convertida num inocente jantar. O médico Joseph-Charles Mardrus fez o contrário: a sua edição (1899-1904) carrega no picante e ‘inventa’ a sensualidade exótica que as ‘noites árabes’ passaram a simbolizar no imaginário ocidental.
Do livro ‘As Mil e Uma Noites’, trad. Hugo Maia, ed. E-Primatur
"História do carregador e das três moças de Badgade
O carregador respondeu: ‘O teu ventre.’ ‘Ai, ai, que não tens vergonha nenhuma!’ e deu-lhe um calduço. ‘A tua racha’, disse ele, e uma das irmãs beliscou-o e gritou-lhe na cara: ‘Ai que palavra tão feia.’ ‘A tua cona’, tentou ele. E outra das irmãs lhe espetou um murro que lhe deu a volta ao estômago e disse. ‘Haja vergonha!’ ‘É o teu grelo!’, ripostou ele, mas a que estava nua bateu-lhe e disse: ‘Não!’ ‘A tua coisa? A tua passarinha? O teu pito?’ ‘Não, não é!’, respondia-lhe ela a cada tentativa. E a cada nome que ele lançava, uma das raparigas o esmurrava (...). Mais tarde, o carregador levantou-se e despiu todas as suas roupas, ficando só com uma coisa pendurada entre as pernas, e deu um salto direto para a piscina.
(...) depois saiu repentinamente da água e instalou-se no colo da moça mais bela, pondo os braços à roda da moça da porta e as pernas estendidas no colo da moça das compras, e disse: ‘Ó minhas ricas senhoras, o que é isto?’ apontando para a sua verga.
As raparigas ficaram encantadas com a atitude do carregador e riram-se muito (...) com o facto de ele partilhar o mesmo sentido de humor. E a mais bela respondeu: ‘É o teu caralho!’ ‘Não têm vergonha nenhuma! Que palavra tão feia!’, disse o carregador . (...) E outra tentou: ‘O teu pau?’ ‘Não!’ ‘A tua pila?’ (...) Mas o carregador respondia sempre que ‘Não!’ e para seu grande e belo prazer ia beijando aquela, e puxava o nariz da outra, e beliscava aqueloutra, e ora mordia uma, ora mordiscava outra (...). Até que lhe perguntaram: ‘Ó irmão nosso, mas afinal qual é o nome disso?’ E o carregador respondeu: ‘Com que então não sabem o seu nome? Pois bem, chama-se a mula infatigável!’ (...) E desataram a rir-se e de tanto rir até caíram para trás e perderam os sentidos. E continuaram na ramboia, à conversa e a beber."
"História da escrava Anice Aljalice e de Nureddine Ali ibn Khacane
(…) A senhora foi logo ao compartimento de Anice Aljice e disse-lhe: ‘Filha, que foi que te aconteceu?’ E ela disse: ‘ Senhora minha, estava eu sentada e quando dei por mim, eis que um moço jeitoso (...) logo se achegou a mim e me abraçou.’ E então a senhora disse: ‘E ele feriu-te onde nós cá sabemos?’ E Anice Aljice disse: ‘Sim, mas foi só três vezes.’".
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