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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

O.K., Baby

Hilary Swank é Maggie Fitzgerald em ‘Million Dollar Baby’, história de uma mulher franzina que sonha ser pugilista. A concorrência que se cuide.

13 de fevereiro de 2005 às 00:00

A mensagem que transpira de um poster pendurado naquela esconsa parede é clara. “Os vencedores estão simplesmente dispostos a fazer aquilo que os falhados não conseguem”. É uma mensagem forte e aquela não é uma esconsa parede qualquer. É a esconsa parede do The Hit Pit, antigo berço de campeões de boxe. A mensagem é assinada pelo punho de Frankie Dunn, dono do ginásio, mestre de grandes lutadores. A todos ensinou a regra que pauta a sua vida dentro e fora do ringue: acima de tudo, têm de se proteger.

Após anos na sombra, encostado às cordas do pequeno quadrado onde assistiu a lutas titânicas, Frankie arrasta-se numa crise existencial, marcada pela conturbada relação com a filha. Sobreviver é a sua única expectativa. Fechado no seu mundo, vale-se apenas da forte ligação a Eddie ‘Scrap Iron’ Dupris, o amigo de peito com quem partilha angústias e desesperos.

A vida dos dois compinchas muda quando o ginásio é invadido por um raio de luz. Chama-se Maggie Fitzgerald, tem 31 anos e quer ser estrela do boxe. Frankie nunca dirigiu uma mulher, acha-a velha demais para se aventurar naquele violento desporto e recusa treiná-la. Ela não desiste ao primeiro assalto, volta no dia seguinte, mostra perseverança, uma força de vontade e determinação que há muito falta por aquelas paragens.

Scrap, antigo lutador de boxe, começa a dar-lhe algumas indicações, esquemas de treino, até que Frankie decide aceitar o desafio de fazer da trintona de aspecto franzino e frágil uma campeã. Candidato aos cinco principais Óscares da Academia, ‘Million Dollar Baby’ é, mais do que uma história de boxe, um manifesto contra a solidão. Clint Eastwood, que além de dirigir e produzir o filme veste ainda a pele de Frankie Dunn, não tem dúvidas que a mensagem desta história vai muito além de um Rocky de saias: “É uma história de amor sobre um indivíduo descrente devido ao fracasso do relacionamento com a filha, e que encontra uma substituta para esse laço familiar numa jovem rapariga ‘a morrer’ para deixar a sua marca no mundo como lutadora de boxe”.

Habituada a papéis dramáticos – venceu em 1999 uma estatueta dourada pelo seu desempenho em ‘Boys Don’t Cry - Os Rapazes Não Choram’ –, Hilary Swank veste a pele da pugilista que quer fazer história.

Para a jovem actriz, a sua personagem revelou-se mais complexa do que à partida poderia imaginar. “Porque é que alguém quer ser lutadora de boxe?”, pergunta antes de adiantar ter atingido uma rápida percepção do papel: “Subir ao ringue, bater e levar pancada era algo que eu não percebia até começar a treinar para o filme. Mas para Maggie o boxe não é apenas uma saída, é algo que adora. Relacionei-me com ela porque a minha família vivia numa caravana e não tínhamos muito dinheiro. Comecei a entrar em peças de teatro aos nove anos. Era tudo o que amava e queria fazer para sempre. Liguei-me a esse lado da personagem”.

Scrap surge como o elo entre o pai destroçado e a filha (emprestada) que nunca teve, o primeiro a acreditar na menina sonhadora. Homem só, carrega o drama de ter perdido uma vista durante um combate, passando ao lado de uma grande carreira. Morgan Freeman desvenda parte do seu desempenho: “Scrap revê-se na situação de Maggie. E ele sabe que não é só uma jovem, vê que ela está ali cheia de intenções e desejos”. Se a Academia de Artes e Ciências se aperceber do mesmo, é muito provável que o filme saia vitorioso na noite dos Óscares. Possivelmente com K.O. no derradeiro assalto.

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