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Rapei o cabelo (e a minha mulher não gostou)

“E agora desaprovou o meu novo look, só porque pareço um fuzileiro de partida para o Afeganistão”<br/>

10 de abril de 2011 às 00:00

Há muito tempo que tinha vontade de aplicar uma tesourada radical na minha vasta cabeleira. Foi desta. A senhora que costuma cortar o meu cabelo perguntou-me se tinha mesmo a certeza, eu disse-lhe que sim, ela arrumou a tesoura, tirou da gaveta a máquina, ajustou-a para pente 3, e eu senti-me qual Sansão nas mãos de Dalila. A operação foi rapidíssima e indolor, um tzzzzzz para lá, um tzzzzzz para cá, e já está. No final aprovei o resultado e passeei confiante a minha nova penugem capilar. Até que chegou o momento de voltar para casa.

Os meus filhos gostaram todos muito. A mãe deles nem por isso. Perguntei-lhe a opinião e ela respondeu-me: "Eu já te tinha dito que não gostava de te ver de cabelo curto, mas se tu te sentes melhor assim, estás à-vontade." Não é aquilo que um homem espera ouvir. O problema é que a minha excelentíssima esposa é muito conservadora. Protestou da primeira vez que deixei crescer a barba. E agora desaprovou o meu novo look, só porque pareço um fuzileiro de partida para o Afeganistão.

Neste aspecto em particular, estamos a léguas de distância um do outro. Há cortes de cabelo dela de que eu gosto mais e outros de que gosto menos, mas adoro que ela mude de visual. Posso ter muitos defeitos, mas não sou daqueles maridos que nem reparam quando a mulher chega a casa com um corte novo ou com um vestido acabado de estrear. Eu reparo. Ó se reparo.

Não só reparo como lhe digo: "Adoro quando alteras o teu visual. Assim parece que vou para a cama com uma outra mulher." Não se assustem. Sei que à partida esta frase pode parecer – vá lá – ligeiramente ofensiva. Mas não me entendam mal. Isto não significa, de todo, que esteja farto da minha excelentíssima esposa. Eu gosto da monogamia. Só que ainda gosto mais da monogamia poligâmica.

Ou seja, gosto imenso de me deitar com várias mulheres diferentes, desde que todas elas sejam a minha mulher. Hoje de cabelo comprido, amanhã de cabelo curto, anteontem de cabelo escadeado, daqui a dois dias com franjinha, há uma semana com botas de salto alto, daqui a um mês de ténis e calças de ganga. Sempre diferente, mas sempre igual.

É por isso que fico triste por ela não gostar de mim assim. Ela nunca foi para a cama com um fuzileiro (que eu saiba), e não ter qualquer interesse nisso deixa-me um bocado desconsolado. Mas enfim. Só espero que o cabelo não demore muito a crescer.

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