Herdade do Pereiro, próxima de Marvão, perdeu habitantes, fama e brilho. Agora está à venda por sete milhões de euros
As silvas são do tamanho das casas, muitas delas já destelhadas e com sinais de degradação. Da propriedade do Pereiro, em Marvão, a poucos quilómetros da aldeia da Beirã, só o olival ainda produz e é aproveitado. Agora, esta que é uma das maiores herdades agrícolas do Alentejo está à venda por sete milhões de euros. Parece já haver interessados, mas certo é que o valor a que está marcado o imóvel na mediadora de luxo Sotherby’s não é nem de perto, nem de longe, suficiente para regenerar a vida de um local que em tempos se assemelhou a uma aldeia, hoje rodeada de cercas, ervas daninhas e destroços.
A "aldeia", como lhe chamam os vendedores, está integrada no Parque Natural da Serra de São Mamede e tem 20 mil metros quadrados de área habitável e 800 mil de área total. Foi usada por mais de 100 anos como estância termal, sobretudo por turistas espanhóis. Apesar de ter sido esta valência que a tornou famosa, as termas da herdade do Pereiro foram concessionadas em 1942 a João Nunes Sequeira – um dos maiores empresários daquela região no séc. XX, ligado à agricultura, calçado e confeitaria e que construiu fortuna à conta dos tempos do contrabando –, mas a exploração continuou precária e o número de aquistas nos anos seguintes não ultrapassava as três dezenas.
Assim deve ter continuado até finais da década de 1950. Em 1971 as termas foram declaradas abandonadas, tendo a propriedade sido mais aproveitada para a vertente agrícola. Ainda hoje as terras da herdade do Pereiro estão na posse dos netos de João Sequeira, mas aos poucos o local foi perdendo predominância, depois de crescer tanto que mais perecia uma aldeia, que até tinha celebrações e festas religiosas próprias.
O poder económico de João Nunes Sequeira foi tanto a dada altura que esteve em vista a compra de toda a península de Tróia (Grândola), mas o empresário acabou por desistir do negócio, não reconhecendo potencial suficiente para avançar, em tempos em que se prezava mais a terra para cultivar do que a areia e água para uma estância balnear, por volta da década de 1950.
AERÓDROMO E CASINO
Fala-se que durante a II Guerra , fruto da posição geográfica a poucos quilómetros da fronteira, na herdade do Pereiro terá operado um pequeno aeródromo clandestino que ajudava a passar mercadorias entre Portugal e Espanha. Já no séc. XIX, quando as termas já eram exploradas, terá sido atribuída ali uma das primeiras licenças de casino do País.
"Eram outros tempos, em que as pessoas tinham de estar perto dos locais de trabalho porque não era fácil deslocarem-se. Devido à dimensão da herdade, muitos foram os que habitaram as casas. Construiu-se ainda uma escola e uma capela, para que nada faltasse às pessoas que ali trabalhavam", afirma José Manuel Pires, vereador com o pelouro do Turismo da Câmara de Marvão.
"A autarquia reconhece o potencial daquele espaço e estará sempre de portas abertas, aos actuais ou futuros proprietários, a acolher e a facilitar a criação de projectos com fins turísticos naquele local, que tem, de facto, condições para a criação de um conceito único no Alentejo e até no País", referiu o autarca.
Os sete milhões de euros em que está avaliada dificilmente serão "batidos", segundo fontes do ramo imobiliário, mas parece já haver interessados na propriedade que tem ainda vestígios históricos dos períodos Paleolítico e Neolítico, várias fontes, casas de corte regional, uma capela, um forno de pão, um lagar, uma adega, celeiros, quadras, queijeiras, um infantário e uma escola com cantina, que recebeu no auge da laboração agrícola cerca de 20 crianças, filhas dos trabalhadores.
No concelho sonham com um eco-resort, um turismo de natureza e sobretudo com postos de trabalho no sector-âncora da região.
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