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Artigo exclusivo

Um combate eterno entre a beleza e a verdade

Para Cao Xueqin, “a verdade transforma-se em ficção quando a ficção é verdadeira; o real fica irreal quando o irreal é real”

25 de janeiro de 2026 às 00:30

Muito embora de etnia ‘han’, a família de Cao Xueqin (1710-1763, Tsao Hsueh Chin na grafia anterior a 1958) chegou aos altos quadros da administração ainda durante o mandato do imperador Kangxi (1654-1722), o terceiro da dinastia Qing (1636-1912), o período manchu. O seu avô tinha sido companheiro de infância do imperador e este, quando estava em viagem, hospedava-se em casa dos Cao, além de o ter encarregado de coligir toda a poesia da dinastia Tang (618-907, a mais rica das épocas literárias chinesas). A sorte da família mudou com o novo monarca, Yongzheng (1678-1735), que a despromoveu e expropriou. A acusação era de corrupção e malversação de fundos imperiais – um tema que entraria em ‘O Sonho da Câmara Vermelha’, o romance mais comentado, discutido e estudado da literatura chinesa, que Cao Xueqin escreveria já durante o tempo do imperador Qianlong (1711-1799), crê-se que desde 1740 até à véspera da sua morte. Em redor do livro (um colosso de 2800 páginas) ergue-se uma rede de exegetas e estudiosos que lhe dedicaram parte essencial das suas vidas, conhecida como “vermelhologia” (estudo da “câmara vermelha”); Mao Tsé-Tung, um leitor apaixonado do livro, iniciou mesmo uma perseguição aos comentaristas mais “literários” (como Hu Shih ou Yu Pingbo) por não o lerem “da maneira correta”.

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