"Causo inveja na escola", diz Liliana Costa, de 34 anos.
Ela era a concretização de todas as fantasias. Uma professora jovem, atenciosa, que fazia questão de manter uma relação aberta com os alunos. Que sabia despertar atenções. Ele era apenas um miúdo, de 14 anos. Louco por futebol, demonstrava pouco interesse por raparigas da sua idade. O caminho dos dois cruzou-se em 2013, mas só no verão do ano seguinte, Liliana Costa, de 34 anos, recebeu a primeira mensagem de amor. Não conhecia o número, mas a empatia terá sido imediata. Falaram e assim continuaram durante os meses que se seguiram.
Revela identidade e nega sexo com aluno
Em novembro, Liliana descobriu a verdade. O autor dos textos apaixonados era um aluno seu da Escola EB 2,3 Professor Gonçalo Sampaio, na Póvoa de Lanhoso. Mas era tarde demais. Todas as reservas tinham já desaparecido, nem os 20 anos que os separavam a incomodavam mais. A ligação que sentia falou mais alto, garantem fontes ligadas ao processo, que fazem à ‘Domingo’ o retrato de uma relação proibida.
"A Liliana sabia que estava a correr um sério risco, mas disse que naquela altura já não podia abandonar o rapaz. Ela sentia uma forte ligação e não conseguia colocar um ponto final em tudo", contou à ‘Domingo’ fonte ligada ao caso.
CASO DESCOBERTO
CASO DESCOBERTO
A relação proibida de Liliana e do aluno foi interrompida pela descoberta do caso. Instaurou-se um processo disciplinar à professora. Está já suspensa por 90 dias.
A história que esteve guardada a sete chaves durante seis meses é agora negada pelos dois protagonistas. Mas os pais do menor garantem que conheciam Liliana. Não sabiam que era professora. Para eles, a mulher pequenina e loira era a namorada do filho. Era quem viam à porta de casa, quem ia de carro buscar o menor, de 14 anos. Era a autora dos telefonemas pela madrugada fora. A razão pela qual o filho suspirava, o motivo de ter começado a descurar os estudos.
Os pais não viam com bons olhos esta estranha relação, mas também não a proibiam. Acreditavam que Liliana Costa tinha no máximo 19 anos. Não lhes fazia também confusão a forte possibilidade de o filho andar envolvido fisicamente com uma pessoa mais velha. "É um rapaz", justificavam a si próprios. Estavam longe era de saber que o menor ocultava parte do que se passava. No final de março, durante uma reunião na Escola EB 2,3 Professor Gonçalo Sampaio, na Póvoa de Lanhoso, o pai falou de Liliana à diretora de turma. Referiu-se a ela como sendo uma amiga íntima do filho, que cerca de meio ano antes tinha entrado nas suas vidas. Com quem acreditava que o menor estaria envolvido. Descreveu-a fisicamente, até indicou qual era o carro que possuía. A diretora de turma não queria acreditar no que ouvia. Em choque, revelou: Liliana tinha 34 anos e era a professora de Físico-Química.
"A diretora de turma chamou o meu marido no final de março à escola porque o meu filho insultou um professor. Queixou-se do comportamento dele e o meu marido explicou que ele agora andava diferente por causa de uma rapariga, a Liliana. Contou que pensava que era namorada dele. A diretora começou a fazer perguntas sobre ela e às tantas disse: ‘mate-me já, essa mulher é professora dele’. Foi aí que soubemos a verdade", contou à ‘Domingo’ a mãe do menor.
A partir desse dia, as situações ocorreram quase em catadupa. Liliana foi confrontada pela diretora de turma do menor, mas negou tudo. Foi chamada dias depois pela direção da escola.
"A diretora disse para estarmos descansados que o caso está nas mãos da escola. Fiquei satisfeita por ela ter sido suspensa. Tem de ser castigada", adianta a mãe.
Aluno e professora recusam o envolvimento físico. Admitem que eram próximos, negam que a barreira da amizade tenha alguma vez sido ultrapassada.
"Nunca estive envolvido com ela. Não sei porque me envolveram nesta história. Viram coisas onde elas não existem", diz o aluno. Liliana diz também que apenas quis ajudar. Que nunca teve outras intenções.
"Eu apenas tentei ajudar um aluno com dificuldades. Admito que o levei a casa, que lhe ligava. Mas fiz isso com outros alunos. Apenas tento estar disponível para o que eles precisam, para tirar dúvidas das disciplinas. Nunca se passou mais nada", afirma Liliana Costa.
ENCONTROS SECRETOS
Os encontros entre Liliana e o menor terão, segundo fontes ligadas ao processo, ocorrido sempre no apartamento onde vive sozinha, em Braga. Até o Dia dos Namorados terá sido passado com o aluno. Envolveram-se numa altura em que a docente estava fragilizada emocionalmente. A relação com o namorado passava por uma fase complicada. "Na escola nunca aconteceu nada, isso é mais do que certo. Isto deu-se numa altura em que ela estava muito afetada, as coisas não estavam bem com o namorado e ela sentiu que o jovem lhe dava a atenção de que precisava", dizem as mesmas fontes.
A professora admite agora que o aluno pode ter desenvolvido sentimentos impróprios. Que pode ter começado a existir da sua parte uma atração física. Que pode ter confundido a atenção que lhe dava nos estudos com algo mais. Garante que nunca alimentou qualquer paixão.
"Admito que ele possa ter sentido uma atração, é normal nessas idades. No entanto, ele nunca me revelou nada. Nunca falámos de algo que estivesse relacionado com sentimentos. Até porque se o tivesse feito, eu tinha agido de outra forma", conta.
Para Liliana, os comportamentos que teve foram normais. Diz que sempre agiu da mesma forma durante os 12 anos de profissão. Certo é que as explicações que diz ter dado ao menor de nada serviram. Muito pelo contrário. Um aluno que até então tinha um desempenho considerado razoável ficou em sério risco de reprovar.
"A partir do momento em que ela começou a aparecer por aqui ele mudou de comportamento na escola. Muitas vezes ficava a falar com ela até às duas da madrugada e só depois é que ia pegar nos livros para estudar. Claro que ficava logo muito cansado e ia dormir. Resmungava muitas vezes com ele, mas não adiantava. Até então era bom aluno e agora terminou o 2º período com três negativas" disse à ‘Domingo’ a mãe do rapaz.
Liliana admite que foi de carro buscar o menor a casa e que falavam ao telefone várias vezes. "Admito que fui lá de carro e que falámos ao telemóvel. Mas nunca foi durante a noite e muito menos de madrugada. Foi apenas para tratarmos de assuntos da escola. Ligava para ver se precisava de alguma coisa da minha disciplina ou mesmo de outras, para esclarecer as dúvidas que tivesse. Mas fiz o mesmo com outros alunos. Não foi só a este que dei o meu número", afirma a docente.
A SUSPENSÃO
A professora não encontra justificação para a sua suspensão. Fala em invejas, em rumores infundados. "Fui apanhada de surpresa. Não sei de onde isto surgiu. Fazem-me isto porquê? Porque sou jovem e bonita? Só pode ser. Não encontro outro motivo. Admito que causo inveja na escola porque os alunos reagem à minha disciplina de forma diferente, porque eu os consigo motivar", diz.
O aluno fala também em boatos. Não sabe quem os criou, mas diz que o objetivo era só um: afastar a professora. "Sei que começaram a surgir uns rumores na escola, mas também nunca percebi como inventaram isto. Tínhamos mais do que uma simples relação de professora e aluno, é verdade. Mas também nunca passou de uma amizade", alega o menor com quem Liliana é suspeita de ter estado envolvida.
Os pais do rapaz não o confrontam com as contradições da história. Não questionam por que motivo tinha uma aproximação tão grande à professora, não colocam em causa comportamentos que aos seus olhos não são normais. "Não o queremos incomodar muito com este assunto, até porque ele também já mostrou que não quer falar. Confesso que se fosse com uma rapariga era pior, se calhar agia de outra forma", adianta a mãe do menor. A direção da escola garante que fez o que considerou correto. Não podiam fechar os olhos a algo que dizem que "estava à vista de todos".
"A partir do momento em que existem suspeitas, o nosso dever é tomar medidas. Sugeri à Direção Regional da Educação do Norte a abertura de um processo disciplinar e sugeri também que a docente fosse suspensa preventivamente. Tudo foi aceite. Claro que não queremos prejudicar a professora, mas a nossa principal preocupação é sempre proteger o aluno", explica Luísa Rodrigues Sousa Dias, diretora da escola.
Opinião diferente tem João Magalhães, advogado que representa a professora. Acredita que a escola agiu mal. Que a diretora deveria ter ouvido a professora e o aluno antes de ter tomado qualquer atitude.
"Isto é claramente ilegal. A minha cliente foi suspensa de funções sem ter sequer hipótese de se defender. Não percebo como tomam uma medida destas sem se saber primeiro o que têm a dizer os intervenientes", alega.
PROCESSO DISCIPLINAR
PROCESSO DISCIPLINAR
O próprio namorado de Liliana, com quem aquela continua a manter uma relação, está também disposto a avançar em sua defesa. Liliana enfrenta, para já, apenas o processo disciplinar. Não foi apresentada qualquer queixa na Justiça, o que neste caso é necessário. O ato sexual com adolescente é um crime semipúblico e por isso, para que o caso seja investigado pelas autoridades, é necessário que os pais do menor apresentem queixa. "Estamos a ver no que dá o processo disciplinar. Para já, não fizemos nada", admite a mãe do aluno.
O futuro da professora está agora nas mãos do menor. Se o aluno mantiver a versão e negar o envolvimento, o desfecho final deverá ser o arquivamento. Será difícil fazer outro tipo de prova.
A história de uma relação proibida, relatada à ‘Domingo’, poderá ficar por esclarecer. Até que um dos protagonistas a queira contar.
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