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Assembleia de credores deu cinco dias aos credores para se pronunciarem sobre uma proposta de compra da sociedade Valérius, no valor de 250 mil euros.
A assembleia de credores da empresa de confeções Dielmar decidiu esta quarta-feira o encerramento definitivo do estabelecimento e deu cinco dias aos credores para se pronunciarem sobre uma proposta de compra da sociedade Valérius, no valor de 250 mil euros.
A assembleia de credores que decorreu no Tribunal do Fundão determinou hoje, 100 dias após ter declarado a insolvência da empresa de confeções Dielmar, avançar com o seu encerramento definitivo, o que permite aos cerca de 240 trabalhadores irem, no imediato, para o desemprego.
Contudo, o administrador da insolvência, João Gonçalves, informou os credores da chegada, na terça-feira, de uma proposta da sociedade Valérius, no valor total de 250 mil euros.
A proponente, compromete-se ainda a reabrir a empresa e a ir buscar 200 trabalhadores, de uma forma faseada e após uma formação teórica de um mês e outra em contexto de trabalho, resultante de uma parceria entre esta sociedade e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
O Tribunal deu agora cinco dias consecutivos para os credores se pronunciarem, por escrito, se aceitam ou não aceitam a proposta da Valérius.
Em cima da mesa está a liquidação pura e simples ou, em alternativa, votar favoravelmente a proposta apresentada pela sociedade Valérius que dá a hipótese de a empresa reabrir com a marca Dielmar e com 200 trabalhadores, caso estes aceitem.
À saída da reunião, a advogada Susana Paula Gonçalves, mandatária de 129 trabalhadores da Dielmar, sublinhou que os trabalhadores continuam a não ter capacidade para decidir sobre esta proposta que fica dependente da banca e da segurança social.
Contudo, realçou que os trabalhadores passam a receber já o subsídio de desemprego, "o que para eles é essencial".
Já a presidente do Sindicato Têxtil da Beira Baixa (STBB), Marisa Tavares, sublinhou que o resultado desta assembleia de credores não é aquele que os trabalhadores queriam desde o primeiro momento.
"Sempre pediram a salvaguarda do seu posto de trabalho e aquilo que tivemos hoje nesta assembleia de credores foi precisamente o contrário. Os trabalhadores estão prejudicados com o salário do mês de outubro e andaram neste impasse e a dar tempo para que as coisas chegassem à assembleia de credores e houvesse alguém que viabilizasse a empresa, no seu todo e a salvaguarda dos postos de trabalho e, chegados aqui, não verificamos isso", sustentou.
A sindicalista realça que há responsáveis por esta situação e aponta o dedo ao Governo.
"Como é óbvio há responsáveis por esta situação. O Ministério da Economia, num primeiro momento, mostrou-se envolvido e até tomou algumas medidas positivas, nomeadamente, a salvaguarda dos meses de agosto e setembro. Passado o dia 26 [setembro, data das eleições autárquicas], infelizmente, vimos as coisas esfriar por parte do Ministério da Economia", concluiu.
Marisa Tavares entende que não foi feito tudo o que podia ter sido feito para que houvesse uma solução que não fosse o encerramento definitivo da atividade da empresa.
"Chegados hoje aqui estando as trabalhadoras sem o salário do mês de outubro, não havendo garantias do pagamento do salário do mês de outubro, chegados a este ponto o que fazer", questiona.
Esta responsável entende que a proposta da sociedade Valérius, "vem acrescentar alguma possibilidade de trabalho no futuro".
"Temos pena que [o proponente] não tenha garantido o salário de outubro, mas de alguma forma já garante a salvaguarda de 200 postos de trabalho para as trabalhadoras que queiram regressar", disse.
Contudo, Marisa Tavares recorda que esta proposta ainda não é definitiva, uma vez que os credores vão ter de se pronunciar se a aceitam ou não.
"Há a possibilidade, caso não seja entregue à Valérius, de haver um leilão, onde possam aparecer outras propostas. Já que fizemos de tudo para que não chegassemos a este ponto, devemos trabalhar numa perspetiva de futuro não esquecendo os responsáveis", concluiu.
Fundada em 1965, em Alcains, no concelho de Castelo Branco, por quatro alfaiates que uniram os seus conhecimentos, a Dielmar, que empregava atualmente mais de 300 trabalhadores, pediu a insolvência ao fim de 56 anos de atividade, uma decisão que a administração atribuiu aos efeitos da pandemia de covid-19.
A Dielmar pediu a insolvência no passado dia 02 de agosto, tendo o Juízo de Comércio do Fundão da Comarca de Castelo Branco declarado a insolvência da empresa no dia seguinte.
Depois da rescisão de contratos para os trabalhadores das lojas e da não renovação dos contratos a termo, a empresa tem ainda cerca de 245 trabalhadores.
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