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"Crescer mais durante 20 anos é mudar Portugal": ministro da Economia traça meta para recuperar atraso económico

Estratégia do Governo assenta em cinco pilares principais: investimento, inovação, produtividade, internacionalização e guerra à burocracia.

07 de julho de 2026 às 13:10

O Governo quer colocar Portugal a crescer acima da média europeia durante 20 anos para recuperar o atraso económico acumulado nas últimas décadas. A meta foi assumida esta terça-feira pelo Ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, no encerramento da conferência "Economia Sem Fronteiras", onde traçou um conjunto de medidas para acelerar a convergência. 

Apesar de destacar que Portugal já cresce acima da média da União Europeia, e que deverá continuar a fazê-lo até 2028, segundo previsões europeias, o governante sublinhou que isso "não chega". "O desafio não é apenas crescer mais: é crescer melhor e durante tempo suficiente", afirmou.

Os dados mais recentes do INE, que geraram polémica ao baixarem o PIB per capita devido à revisão da população, não alteram a trajetória, garante o executivo. Ainda assim, o ministro reconhece que o histórico é preocupante, já que entre 1995 e 2023 Portugal não se conseguiu aproximar da média europeia em termos de rendimento. "Zero pontos percentuais em quase 30 anos. Uma desilusão coletiva", disse.

Atualmente o PIB per capita nacional ronda 80% da média da União Europeia e a produtividade mantém-se significativamente abaixo. Para inverter este cenário, o Governo defende que será necessário um esforço prolongado. 

"Um ano não chega. Três anos não chegam. É preciso persistência", sublinhou Manuel Castro Almeida.

O contexto internacional, marcado por tensões geopolíticas, conflitos e instabilidade económica, torna o desafio mais exigente. Ainda assim, o ministro aponta vantagens, entre elas as contas públicas equilibradas, a divida em queda e a credibilidade financeira. 

Cinco pilares para mudar a economia

A estratégia do Governo assenta em cinco pilares principais: investimento, inovação, produtividade, internacionalização e guerra à burocracia. 

A prioridade passa por reforçar o investimento privado e público, aumentar a escala das empresas e apostar em setores de maior valor acrescentado. Ao mesmo tempo, o ministro quer aproximar o sistema científico das empresas, transformar conhecimento em valor económico e acelerar a digitalização.

A internacionalização é outra aposta central, com o objetivo de colocar as exportações acima de 50% do PIB e diversificar mercados num contexto global mais fragmentado. 

Já no plano interno, o combate à burocracia surge como condição essencial para acelerar a economia. A intenção é simplificar licenciamentos, reduzir prazos e criar maior previsibilidade para empresas e investidores. 

Entre as medidas concretas anunciadas destaca-se um plano para formar 100 mil trabalhadores em inteligência artificial nos próximos três anos, com foco nas pequenas e médias empresas. 

O Governo quer também avançar com a criação de seis novos parques industriais de média e grande dimensão, inspirados no modelo de Sines, para atrair investimento e acelerar projetos empresariais. 

Está ainda previsto o lançamento de um Fundo de Fundos, através do Banco Português de Fomento, para mobilizar capital privado e apoiar empresas com potencial crescimento. 

No decorrer do discurso o ministro insistiu na ideia de que a estabilidade financeira alcançada nos últimos anos é apenas um ponto de partida. "A estabilidade protege-nos. A convergência transforma-nos", afirmou. 

O objetivo, garantiu, é transformar crescimento em melhores salários, mais produtividade e maior coesão territorial, evitando um país a várias velocidades. 

"Crescer mais durante um ano é uma boa notícia. Crescer mais durante vinte anos é mudar Portugal", concluiu. 

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