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Gritos de "vingança" e "morte à América" politizam funeral de Khamenei

Cerimónias fúnebres foram usadas pelo regime como chamada à união nacional.

07 de julho de 2026 às 01:30

Já se imaginava que a passagem do cortejo fúnebre do antigo líder supremo do Irão pelas ruas de Teerão chamaria um número invulgar de pessoas, vestidas de negro, à capital iraniana, mas, para a história, ficará bem mais do que um mega-evento de contornos meramente religiosos. As cerimónias, acompanhadas por altas figuras de vários países, mais ou menos alinhados com o Irão, como a China, Paquistão, Qatar, Rússia ou Arábia Saudita, foram essencialmente uma chamada do poder iraniano à unidade nacional depois dos ataques dos EUA e Israel e, também, das manifestações oposicionistas internas. E, para isso, nada melhor que exortar os milhões de iranianos que estiveram nas ruas para o adeus a Ali Khamenei e familiares — todos mortos pelos Estados Unidos e Israel no início da inesperada guerra declarada por aqueles dois países - à vingança. Na imensidão da enorme via que une a Grande Musalla de Teerão, onde os caixões foram venerados durante o fim-de-semana, à gigantesca praça Azadi (liberdade, em farsi) gritou-se insistentemente "Morte à América! Morte a Israel!" e até, metaforicamente, se ostentaram cartazes com recompensas pelo abate do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Era manhã bem cedo quando um camião, decorado em forma de templo, carregou as urnas cobertas com a bandeira iraniana para um viagem que haveria de durar até ao final da tarde, por entre uma multidão em lágrimas. O vermelho das bandeiras a pedir "vingança" pintou o imenso manto negro, feito de gente em lágrimas. Mas o estandartes do Irão também pintavam o protesto com mais cores e tudo isto pontuado de muito amarelo e verde dos apoiantes - e eram muitos — do movimento xiita libanês Hezbollah, o grande aliado de Teerão contra Telavive.

A enorme celebração decorreu debaixo de um sol intenso, que chegou aos 37 graus, amenizados apenas pelas raras sombras e pelos muitos aspersores que espalhavam gotículas de água durante o trajeto. Milhares de voluntários ofereceram sopa, bolachas, melancia e muita água durante todo o dia. Na multidão, abriram-se clareiras aqui e ali para rezar.

O caixão de Ali Khamenei segue esta terça-feira para Qom, cidade que alberga o mais importante centro educacional xiita do Mundo. Na quarta-feira, atravessa fronteiras e chegará às cidades sagradas de Najaf e Karbala, no Iraque. Na quinta-feira, regressa ao Irão onde será enterrado no santuário do imã Reza, em Mashhad.

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