Eduardo Baptista Correia lança livro esta terça-feira. CEO defende uma “revolução inteligente”.
O CEO do Taguspark considera que o Estado português é “obeso e ineficaz”, e defende que o desempenho da economia nacional “está significativamente abaixo do que poderia estar”. Eduardo Baptista Correia reflete sobre o futuro estratégico do País no seu novo livro ‘Declínio não é o destino. Uma Revolução Inteligente para Portugal” (Editora D’Ideias). É apresentado pelo almirante Gouveia e Melo, que assina o prefácio, no auditório do Taguspark, em Oeiras, terça-feira, às 18h30.
Como classifica a economia portuguesa atual?
Sem uma estratégica coerente e percetível aos agentes económicos, onde incluo centros de investigação cientifica e tecnológica e ensino técnico e universitário, considero a fase atual da economia portuguesa como uma fase de crescimento moderado, mas estruturalmente vulnerável. Está longe do colapso, ou da estagnação no sentido clássico. Contudo, Portugal tem crescido timidamente, com inflação controlada e desemprego relativamente baixo. O problema é outro: crescemos sem ainda termos resolvido os bloqueios de fundo que nos impedem de convergir com mais rapidez e sustentabilidade. A economia funciona e gera rendimento para a manutenção de um Estado obeso e ineficaz, contudo a sua performance está significativamente abaixo do que poderia estar. O risco não é a crise súbita; é a continuação de um modelo de crescimento insuficiente para garantir convergência forte, salários altos e relevância estratégica.
Que setores estão subdesenvolvidos?
Eu não diria que Portugal tem apenas setores ‘fracos’; diria antes que tem setores subescalados, subcapitalizados ou mal posicionados na cadeia de valor. O grande problema português não é fazer pouco; é muitas vezes fazer sem escala, sem integração e sem sofisticação suficiente. Destacaria cinco áreas aquém do que poderiam ser: a indústria tecnológica e o complexo inovação–empresa; o mar como economia integrada; os setores transacionáveis de maior valor acrescentado; a construção e a habitação enquanto setor moderno; a digitalização operacional do Estado e dos serviços às empresas.
É possível convencer os empresários a investir?
É possível, mas com uma condição: o Estado tem de deixar de pedir heroísmo permanente às empresas. Um empresário português não investe menos no futuro por falta de inteligência. Investe menos porque vive demasiadas vezes esmagado entre margem curta, instabilidade regulatória, atrasos administrativos, custos energéticos, choques climáticos e incerteza fiscal.
Num contexto de instabilidade internacional, o declínio da economia portuguesa não é ‘fatal como o destino’?
Tendencialmente rejeito essa ideia. A instabilidade internacional condiciona Portugal, mas não determina Portugal. Um país pequeno e aberto nunca controlará totalmente o contexto externo; o que pode controlar é a sua qualidade de organização interna, a sua capacidade de adaptação e a seleção estratégica de prioridades. Portugal está exposto a choques externos, sem dúvida: energia, comércio, taxas de juro, geopolítica, cadeias logísticas. Mas daqui não resulta fatalismo. Resulta uma conclusão oposta: quanto mais instável é o Mundo, mais importante é um Estado rápido, uma economia produtiva, uma base exportadora sofisticada e uma estratégia atlântica clara.
O visto prévio nos contratos públicos vai acabar. Reduzir burocracia é o caminho?
É absolutamente imprescindível. Mas é preciso entender o seguinte: acabar com o visto prévio só terá impacto sério se vier acompanhado de três coisas. Primeira, fiscalização posterior forte e tecnicamente competente. Segunda, identificação clara do decisor responsável. Terceira, transparência pública sobre prazos, custos e resultados. Sem isto, a desburocratização corre o risco de se transformar apenas em pouco mais que um novo problema. O problema português é ter regras mal desenhadas, contraditórias, lentas e muitas vezes irresponsáveis.
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