Populares prestam homenagem a guerrilheiros em dia de ataques. Israel dispara dois mísseis contra a zona mais massacrada da capital.
O olhar desconfiado da mulher, que segurava o bebé junto à campa do marido, não era único. No cemitério dos mártires Rawda al Hawraa, dissimulado num imenso rés do chão de um prédio vulgar, localizado no Bairro de Dahieh, no Sul de Beirute, os forasteiros são olhados com desdém. Localizado na impenetrável fortaleza do Hezbollah na capital do Líbano, que Israel ataca com mísseis quase diariamente, os estrangeiros que ousam aqui chegar arriscam a ira dos mais radicais apoiantes do movimento político-militar pró-iraniano.
O cemitério é muito mais do que um memorial àqueles que tombaram na luta armada do Hezbollah contra Israel e aqui repousam alguns dos mais relevantes combatentes do grupo apoiado militar e financeiramente pelo Irão. É o caso de Imad Mughniyeh, um alto comandante do Hezbollah morto em fevereiro de 2008, em Damasco, capital da Síria, na explosão de um carro-bomba.
A campa ocupa a área central do cemitério e foi ali que governantes iranianos prestaram homenagem a um dos mais relevantes operacionais do movimento xiita, num funeral que arrastou multidões em Beirute. Mas hoje o bairro já quase não tem ninguém. Os bombardeamentos sucessivos da aviação israelita transformaram a área numa cidade pós-apocalíptica onde cortinas esvoaçam nas janelas dos prédios vazios em disputa de protagonismo com as bandeiras amarelas e verdes do Hezbollah que ladeiam ruas desertas. Aqui e ali há homens de olhar duro e atento e ‘walkie-talkie’ na mão. Em Dahieh, todos os movimentos são rigorosamente vigiados. Mais discretos, há rapazes à civil e metralhadora ‘Kalashnikov’ a tiracolo. Filmar ou fotografar é um rigoroso exclusivo dos meios – e são vários - de propaganda do Hezbollah.
A manhã de sábado era particularmente tensa. O bairro voltou a ser atingido durante a madrugada. Dois mísseis impactaram uma das ruas principais de Dahieh sem causar vítimas. De noite, aqui já quase não há ninguém para matar. O terror das ofensivas israelitas – que Telavive antecipa regularmente com avisos à população civil – atirou para os campos de deslocados, repletos de tendas minúsculas e alagadas pela intempérie, a totalidade dos moradores. É gente encurralada entre os ataques de Israel, o terror do Hezbollah e uma crise humanitária que continua a agravar-se.
Aviação custo
A United Airlines estima que, se o preço do querosene se mantiver ao nível atual, acarretará um custo adicional de 11 mil milhões de dólares.
Trump bases
Trump diz concordar com os legisladores republicanos que defendem que Washington deve desmantelar bases em Espanha e noutros países da NATO que consideram não cooperarem na segurança do estreito de Ormuz.
EUA sanções
Os EUA suspenderam até 19 de abril sanções sobre petróleo iraniano armazenado em navios, prevendo a libertação no mercado de 140 milhões de barris, para conter a subida dos preços dos combustíveis.
Irão F-16 abatido
A Guarda Revolucionária do Irão garantiu ontem ter abatido um caça F-16 israelita que sobrevoava o Centro do país.
Bahrein explosões
Várias explosões foram ouvidas ontem em Manama, capital do Bahrein, enquanto o Irão intensifica a sua campanha contra os países do golfo.
Navios japoneses podem passar
O chefe da diplomacia iraniana afirmou que Teerão está disposto a facilitar a passagem de navios japoneses pelo estreito de Ormuz. O Japão depende em 90% do petróleo proveniente do Médio Oriente. Araghchi diz que o Irão não fechou o estreito, mas que impôs restrições aos navios de países envolvidos nos ataques contra o país.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.