Presidente executivo justifica a "desaceleração do investimento" com os preços da eletricidade mais baixos e taxas de juro mais altas face ao estimado em 2023.
A EDP anunciou que vai reduzir o investimento previsto para 2024-2026 para 17.000 milhões de euros, direcionado para projetos prioritários, devido à alteração das condições de mercado.
Na teleconferência com analistas, o presidente executivo da EDP, Miguel Stillwell d'Andrade, anunciou uma atualização do plano 2024-26, com uma "desaceleração no investimento" para 17.000 milhões brutos, devido à alteração das condições de mercado, com preços da eletricidade mais baixos e taxas de juro mais altas, face ao estimado em 2023.
Segundo a apresentação enviada hoje à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), 45% dos 17.000 milhões serão direcionados para investimentos na Europa, 33% para os Estados Unidos e Canadá, 14% para o Brasil e 7% para as restantes geografias.
Durante a conferência com analistas, o administrador financeiro, Rui Teixeira, detalhou que o corte no investimento é de 2.000 milhões de euros.
Em março de 2023, na apresentação do plano estratégico 2023-2026, a EDP previa um investimento de 25.000 milhões de euros.
Na quinta-feira, Stilwell d'Andrade tinha já anunciado uma redução do investimento na EDP Renováveis (detida pela EDP em 71,27%) de 3.000 milhões de euros, até 2026, para 12.000 milhões.
Também na quinta-feira, a EDP reportou um lucro atribuível aos acionistas de 354 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 17% face aos 303 milhões registados no mesmo período do ano passado.
Questionado sobre o entendimento do Tribunal Constitucional de que a cobrança de contribuição extraordinária sobre o setor energético (CESE) aos centros eletroprodutores com recurso a fonte renovável viola a Constituição da República, conhecido esta semana, Miguel Stilwell d'Andrade reiterou que se trata de uma taxa que "não faz sentido", porque já não se verificam as circunstâncias extraordinárias que motivaram a sua aplicação e porque desincentiva o investimento.
O presidente executivo da EDP disse não estar à espera que deixe de ser cobrada este ano e que aguarda a decisão do tribunal relativamente à contestação da energética.
"Não considerámos a CESE de 2026 para a frente, não está nos números, mas vamos ver o que acontece nos próximos meses e anos", disse hoje o líder da EDP.
Segundo o Relatório Anual Integrado da EDP relativo a 2023, enviado em março à CMVM, o Grupo EDP pagou até à data 558 milhões de euros relativos à CESE.
A 31 de dezembro de 2023, a EDP registou um custo com a CESE no montante de 49,4 milhões, tendo optado por não efetuar o respetivo pagamento.
A CESE foi criada pelo governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho, em 2014, com caráter temporário, mas foi renovada pela 11.º vez consecutiva no Orçamento do Estado para 2024, estimando uma receita de 125 milhões de euros para o orçamento do Fundo Ambiental.
A CESE é cobrada à EDP, Galp, REN e Endesa, uma vez que incide sobre o valor dos ativos líquidos no país das empresas que se dedicam à produção, transporte ou distribuição de eletricidade; transporte, distribuição, armazenamento ou comercialização grossista de gás natural; e refinação, tratamento, armazenamento, transporte, distribuição ou comercialização grossista de crude e produtos de petróleo.
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