Os 29 países europeus da Nato gastaram, o ano passado, 559 mil milhões de dólares. Pela primeira vez nos últimos 35 anos, país supera os 2% do PIB em despesas militares.
Os países europeus cederam à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que exigia um investimento militar anual de, pelo menos, 2% do PIB - previsto na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) - e gastaram 559 mil milhões de dólares em defesa em 2025. Um aumento superior a 14%, o maior desde os anos 50, de acordo com dados divulgados recentemente pelo Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (SIPRI).
"Os 29 membros europeus da NATO gastaram coletivamente um total de 559 mil milhões de dólares em 2025, sendo que 22 deles apresentaram gastos militares de pelo menos 2% do Produto Interno Bruto (PIB)", segundo o SIPRI, destacando o investimento da Alemanha, o país que mais gastou em defesa do grupo, com um crescimento de 24% face ao ano anterior, atingindo os 114 mil milhões de dólares. Pela primeira vez, nos últimos 35 anos, os alemães ultrapassaram, o limite de 2%. Também a Espanha gastou acima de 2% do PIB, pela primeira vez desde 1994, tendo duplicado o investimento para 40,2 mil milhões de dólares. O gasto militar do Reino Unido caiu 2% para 89 milhões de dólares, enquanto a França aumentou a sua despesa em 1,5% para 68 milhões de dólares.
“Em 2025, os gastos militares dos membros europeus da NATO aumentaram mais rapidamente do que em qualquer outro momento desde 1953, refletindo a procura contínua da autossuficiência europeia, a par da crescente pressão dos EUA para reforçar a divisão de encargos dentro da aliança”, afirmou Jade Guiberteau Ricard, investigadora do Programa de Despesas Militares e Produção de Armamento do SIPRI.
À medida que os Estados se esforçam para cumprir as novas metas de despesa da NATO acordadas para 2025, alerta a mesma investigadora, "existe o risco de que as fronteiras entre as despesas militares e outras as despesas 'relacionadas com a defesa e a segurança' se tornem imprecisas, reduzindo a transparência e complicando ainda mais a avaliação das capacidades militares.”
E TAMBÉM
Investimento de Portugal
O Relatório Anual da Aliança Atlântica confirmou, já este ano, que Portugal atingiu 2% do PIB em defesa, tendo sido um dos países que mais aumentou o seu investimento. Segundo o Governo, Portugal já tinha crescido 1,58% em 2024, alcançando o ano passado os 2% do PIB, um aumento superior a 30%.
Espanha
O Presidente americano criticou Espanha por não permitir a utilização das suas bases militares para ações ofensivas contra o Irão, no âmbito do conflito.
Email do Pentágono
Uma mensagem interna de correio eletrónico do Pentágono, a que a Reuters teve acesso, elenca os países da NATO que recusaram dar aos Estados Unidos acesso a bases e espaço aéreo e admite penalizações.
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