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Correio da Manhã

Economia
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Novo Banco: Venda feita sem consulta da Banca

Maiores instituições bancárias, que são acionistas do Fundo de Resolução, não foram consultadas sobre o preço na reta final da venda do Novo Banco.
Diana Ramos 1 de Setembro de 2015 às 01:00
As instituições financeiras não foram consultadas sequer sobre um  eventual preço  de  venda do Novo Banco
As instituições financeiras não foram consultadas sequer sobre um eventual preço de venda do Novo Banco FOTO: victor machado
Os maiores bancos nacionais, acionistas do Fundo de Resolução e chamados a injetar capital após a queda do BES, foram afastados da reta final da negociação para a venda do Novo Banco. Ao que o CM apurou, as instituições financeiras não foram consultadas sequer sobre um eventual preço de venda, apesar de o valor final da alienação ser essencial para determinar as perdas que serão acomodadas pelo setor.

Ontem, à hora de fecho desta edição, não havia ainda fumo branco sobre o desenrolar da negociação com os chineses da Anbang, cujas condições da oferta se extinguiam à meia-noite. Vários banqueiros questionados pelo CM reconhecem que o Banco de Portugal tem centralizado a informação na reta final do processo e que não esclareceu sequer de que forma as instituições de crédito podem acomodar eventuais perdas resultantes da venda do Novo Banco. Também a Associação Portuguesa de Bancos confirmou ao CM "não ter participado em qualquer tipo de conversação em relação à venda".

Uma fonte do setor adiantou ao CM que a explicação para o afastamento dos bancos poderá estar relacionada com o facto de dois membros da APB – BPI e Santander Totta – terem eles próprios participado na corrida ao Novo Banco, com acesso ao caderno de encargos e a informação privilegiada sobre a instituição. Um elemento que, adianta a mesma fonte, poderá justificar o facto de nem sequer ter chegado a ser constituído o conselho consultivo que deveria acompanhar a venda.

A confirmar-se a opção do Banco de Portugal pelos chineses da Anbang, o negócio poderá ditar uma perda próxima dos dois mil milhões de euros. Parte dessa verba terá de ser acomodada pelos maiores bancos, o que poderá pôr em causa a rentabilidade do setor durante os próximos anos. Segundo várias fontes contactadas pelo CM, a Associação Portuguesa de Bancos também nunca obteve resposta sobre as dúvidas levantadas em torno da acomodação das perdas pelos bancos. A resposta está, aliás, não só nas mãos do Banco de Portugal, mas também do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia.
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