O ouro ultrapassou ontem a barreira psicológica dos mil dólares por onça, na praça de Londres, porque os investidores entraram em pânico com a desvalorização das acções e da moeda norte-americana.
A onça (cerca de 28 gramas) do metal precioso cotava-se a 1000,45 dólares (641,31 euros) ao início da tarde, após os principais mercados accionistas registarem perdas além dos dois por cento. Na origem do sinal negativo generalizado, a falência iminente do Fundo Carlyle, o aumento do crédito malparado e dos que recebem subsídio de desemprego e a quebra das vendas a retalho nos EUA. O Fundo Carlyle, de obrigações, está exposto ao crédito hipotecário de alto risco, e os respectivos credores exigiram à Carlyle o pagamento de 400 milhões de dólares (258 milhões de euros).
A subida de mais de dois por cento da cotação do ouro foi, sobretudo, pela “diversificação das carteiras dos investidores, que se refugiam no metal precioso em alternativa às acções e ao dólar.” Assim afirmou ao Correio da Manhã o perito em mercado de capitais João Queiroz. O responsável de negociação da LJ Carregosa – Sociedade Financeira de Corretagem lembrou que as acções perdem cerca de 20 por cento este ano e a divisa norte-americana 13 por cento desde Setembro último.
Os outros metais preciosos (prata e platina) e os metais de base (ferro, estanho, alumínio, níquel, cobre, zinco) também têm feito máximos. O mesmo acontece com o barril de petróleo, que se cotou nos valores mais elevados nos mercados de futuros de Nova Iorque (111 dólares) e de Londres (107,88 dólares). Segundo João Queiroz, a valorização da fonte energética está relacionada com a queda do dólar.
O perito da LJ Carregosa justificou ainda os valores altos desses produtos e do euro, que se cotou no máximo de 1,5623 dólares, com o facto de não se ver o resultado das fortes injecções de capital iniciadas há meses, que, afinal, são uma aspirina para os mercados monetários.
TAXA DE JURO EURIBOR A SUBIR DE NOVO
A taxa de juro euribor a seis meses, que é a mais utilizada no crédito à habitação em Portugal, subiu ontem para 4,594 por cento. Ela serve, em vários prazos, de base ao custo dos empréstimos de dinheiro que os bancos fazem entre si. Empréstimos esses que não acontecem de acordo com as necessidades, por causa do crédito malparado. Ou seja: os bancos precisam de dinheiro, mas temem emprestá-lo a este ou àquele por receios da exposição ao crédito hipotecário de alto risco, que tem feito mossa nas maiores instituições financeiras norte-americanas, entre as quais a Merril Lynch e o Citgroup.
Para dar um novo fôlego à maior economia, a Reserva Federal deve baixar 75 pontos de base, para 2,25 por cento, a taxa de juro dos EUA na próxima terça-feira.
Na Eurolândia, a principal taxa de juro está nos quatro por cento. Apesar dos apelos para a diminuição do custo do dinheiro, o Banco Central Europeu diz que não o pode fazer, porque a taxa de inflação está alta.
- 12,5 quilogramas é o peso habitual de um lingote de ouro, ainda que este possa variar. Há barras de ouro com apenas um quilo.
- 42 toneladas de ouro foram vendidas no final do ano passado pelo Banco Central Europeu (BCE). Ainda assim, a instituição possui reservas do metal avaliadas em mais de 126,7 mil milhões de euros.
UTILIZAÇÃO
Devido à sua boa condutividade eléctrica, resistência à corrosão e uma boa combinação de propriedades físicas e químicas, o ouro tem diversas aplicações industriais, além de ser utilizado na joalharia.
OBSTENÇÃO
Pode ser encontrado como pepitas grandes, mas é mais comum ser encontrado junto de minerais, como o quartzo, ou em depósitos aluviares.
PRODUÇÃO
A África do Sul é o principal produtor de ouro, extraindo aproximadamente dois terços de toda a procura mundial deste metal.
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