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Correio da Manhã

Economia

Silva Lopes salvou o escudo e defendeu o euro

Enquanto ministro, criou uma sobretaxa sobre o ouro.
Diana Ramos e Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 3 de Abril de 2015 às 08:18
Economista e ex-ministro das Finanças morreu aos 82 anos
Economista e ex-ministro das Finanças morreu aos 82 anos FOTO: Pedro Elias

José da Silva Lopes ocupou o lugar de governador do Banco de Portugal nos cinco anos imediatos à Revolução de Abril. Com a economia em queda livre, as reservas de ouro a desaparecerem e o escudo a valer cada vez menos, o então governador decidiu desvalorizar a moeda progressivamente (‘crowling peg’) de modo a estabilizar a criação de riqueza e garantir o nível de vida dos portugueses no período pós-revolucionário.


Quando chegou a vez de Portugal aderir à moeda única, foi um dos seus grandes entusiastas. Como recorda ao CM o ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos: "Em 1995 tive o privilégio de participar com ele nos Estados Gerais organizados por António Guterres. Na altura debatia-se se Portugal devia entrar na moeda única. Recordo a forma convicta como ele defendeu a entrada de Portugal no euro. Nessa altura havia dúvida, mesmo da parte de Cavaco Silva, sobre a decisão a tomar e acho que a reflexão dele ajudou em muito o governo seguinte a formar uma opinião."

Quando a troika foi chamada em 2011, Silva Lopes não poupou críticas a um acordo que considerou demasiado rígido para o estado em que se encontravam as finanças públicas.

Silva Lopes morreu ontem, em Lisboa, aos 82 anos, deixando para sempre o seu nome ligado a um dos períodos mais conturbados da economia nacional e marcando várias gerações de economistas. O funeral deverá realizar-se amanhã, em hora a determinar. 

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