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UGT quer salário mínimo nos mil euros em 2027 e CGTP pede "choque salarial"

No documento entregue ao Governo, a UGT defende ainda que o referencial para o aumento global dos salários seja de 5,5% em 2027.

16 de setembro de 2026 às 20:56

O secretário-geral da UGT propôs, esta quarta-feira, que o salário mínimo nacional suba para 1.000 euros no próximo ano, enquanto o secretário-geral da CGTP defendeu que o país precisa de "um choque salarial".

"Fizemos uma proposta para que o salário mínimo fosse, no mínimo, de 1.000 euros" no próximo ano, afirmou o secretário-geral da UGT, em declarações aos jornalistas à saída da reunião de Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS), que contou com a presença do ministro das Finanças para apresentação de informação sobre a proposta de Orçamento de Estado para 2027 (OE2027).

Lembrando que o atual acordo tripartido prevê que o salário mínimo nacional suba dos atuais 920 euros para 970 euros, Mário Mourão considerou que essa meta é insuficiente para fazer face "às dificuldades com que as famílias se defrontam", nomeadamente ao nível da inflação, da subida preço dos combustíveis e do crédito à habitação.

No documento entregue ao Governo, a UGT defende ainda que o referencial para o aumento global dos salários (discutidos em negociação coletiva) seja de 5,5% em 2027, acima dos 4,5% previstos no acordo assinado entre UGT, confederações empresariais e Governo em 2024.

"Achamos que é o valor mais adequado", assinalou Mário Mourão, considerando que o valor previsto no acordo "está ultrapassado" e indicando que ainda manifestou preocupações sobre a neutralidade fiscal.

Segundo o secretário-geral da UGT, as informações transmitidas pelo ministro da Finanças sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2027 foram "insuficientes" e o Governo não se manifestou sobre as propostas apresentadas pela central sindical, nomeadamente relativamente ao salário mínimo nacional.

Ainda assim, a central sindical espera que "o salário mínimo possa empurrar o salário médio", instando a um reforço do acordo em vigor.

"Nós fizemos a proposta. [Consideramos que] é mais do que justa. É uma proposta equilibrada, que não responde àquilo que são os problemas, mas, pelo menos, pode atenuar significativamente a vida dos portugueses e dos trabalhadores portugueses", rematou.

Não obstante, após as declarações de Mário Mourão, a ministra do Trabalho veio dizer que a discussão sobre uma eventual revisão em alta do salário mínimo nacional "não está em cima da mesa" neste momento.

Por seu turno, o secretário-geral da CGTP considerou que a apresentação feita pelo ministro das Finanças está "desfasada da realidade", não dando resposta a "questões fundamentais", como "o reforço e a melhoria dos serviços públicos", nomeadamente ao nível da saúde e educação, às "dificuldades no acesso à habitação" ou ao aumento do custo de vida.

Nesse sentido, a CGTP voltou a defender "um aumento geral e significativo dos salários em 15%, com um mínimo de 150 euros" para todos os trabalhadores e que o salário mínimo nacional suba para 1.100 euros a partir de janeiro de 2027.

"É fundamental que haja uma justa distribuição da riqueza que hoje não se verifica no nosso país", afirmou Tiago Oliveira, defendendo que o país precisa de um "choque salarial".

Em contrapartida, as confederações empresariais afirmaram esta quarta-feira que não veem razões "plausíveis" para avançar com um reforço do acordo de valorização salarial e crescimento económico em vigor, argumentando que há medidas que ainda não foram cumpridas.

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