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“Amava-a de forma doentia e tive medo”: Enfermeira diz que protegeu a namorada homicida

Mariana diz que protegeu Maria após esta ter matado e esquartejado Diogo Gonçalves. Juíza irrita-se com arguida, que não assume culpa.

25 de fevereiro de 2021 às 01:30

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Maria Malveiro
Maria Malveiro Direitos Reservados
Maria Malveiro, de 19 anos, e Mariana Fonseca, de 23 anos
Maria Malveiro, de 19 anos, e Mariana Fonseca, de 23 anos Direitos Reservados
Diogo Gonçalves, a vítima
Diogo Gonçalves, a vítima Direitos Reservados
Mariana Fonseca
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“Acabou o amor, mudou a versão”, assumiu o advogado João Grade, referindo-se ao facto de Maria e Mariana estarem agora de costas voltadas. O que não acontecia no primeiro interrogatório judicial quando ainda viviam, segundo Mariana, “numa bolha cor-de-rosa, onde só havia amor”.

Mariana contou ainda que foi a ex-namorada quem fez tudo. Foi ela quem matou Diogo, de 21 anos, foi ela quem decidiu que lhe iam roubar o dinheiro. Foi ela, assegurou, que lhe cortou os dedos para desbloquear o telemóvel. E tentou até matá-la, nessa mesma noite, quando estavam na cama.

“E durante cinco dias nada fez e não a denunciou? E, sendo enfermeira, entrou em pânico?”, perguntou, visivelmente irritada uma das juízas, mas Mariana respondeu: “Amava-a de forma doentia e tive medo. Por isso é que me calei”. Maria, segurança de 20 anos, não assistiu ao depoimento. Tinha saído da sala, só soube do resumo após as declarações terem sido prestadas. Para já manteve-se em silêncio, mas durante todo o dia não escondeu o nervosismo. Chegou mesmo a soluçar e tentou que Mariana lhe retribuísse o olhar.

O julgamento continua amanhã e os testemunhos prestados em primeiro interrogatório serão ouvidos no tribunal. Mariana terá de explicar porque mudou de versão e Maria, se se mantiver calada, pode ver o tribunal validar o que disse em abril. Quando confessou ter matado Diogo, quando disse que Mariana a ajudou a ocultar o cadáver. Quando explicou que aprendeu como matar numa série de TV e deu conta até que tentou arrancar os dentes à vítima, para aquela não fosse identificada, caso a encontrassem. 

Diogo "andava eufórico e contente" antes de ter um encontro

Na semana em que desapareceu, Diogo Gonçalves "andava muito eufórico e contente". A descrição foi feita esta quarta-feira pelo chefe do jovem informático, Bruno Monteiro, que trabalha numa unidade hoteleira em Alporchinhos, Lagoa. "Tinha pedido para não trabalhar dois dias e depois nunca mais atendeu o telefone", revelou a testemunha, que recebeu uma mensagem do telemóvel de Diogo a chamá-lo de "senhor Bruno", algo que ele nunca fazia.

Diogo deixou de ser visto e de atender o telemóvel depois de um encontro com Maria Malveiro. "Ele disse-me que ia ter um encontro com uma pessoa, mas nunca me disse com quem era", revelou David Correia, amigo e colega de trabalho, que recordou que a vítima lhe "contou que tinha recebido cerca de 80 mil euros de indemnização pela morte da mãe".

Um dos seus melhores amigos, Fábio Costa, lembrou ainda que recebeu "mensagens do telemóvel do Diogo que não pareciam ser dele". A última pessoa a falar com o jovem terá sido Paulo Monteiro, que viveu na mesma casa que a vítima. "Eu e a minha companheira estivemos com o Diogo de manhã e depois fomos para Lisboa. Ligámos para ele por volta da hora do almoço e ele estava estranho", recordou a testemunha. Maria já estaria dentro da casa nessa altura. Nas horas seguintes, foi morto e desmembrado e as partes do corpo largadas entre Tavira e Sagres.

Segurança foi reforçada dentro e fora do tribunal

As arguidas estiveram sempre acompanhadas por quatro elementos dos serviços prisionais na sala de julgamento. Tanto no interior como no exterior do tribunal, a segurança foi reforçada com agentes da PSP munidos de armas automáticas e caçadeiras.

Pode adiar as suas explicações à morte

Maria poderá só depor no final da produção da prova - antes das alegações dos seus advogados. Se mudar de versão relativamente ao primeiro interrogatório, terá também de explicar porque o fez. Se se mantiver calada, prevalece o que disse em abril, quando confessou.

Mariana "miserável" no primeiro interrogatório

Segundo o advogado João Grade dos Santos, que defende Mariana Fonseca, a cliente estava com um estado de alma "miserável" quando foi ouvida no primeiro interrogatório. Diz ainda que a arguida, "perante o que está em causa", está "preocupada".

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