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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

André disse ser o preferido de Pedroso

A principal testemunha do processo Casa Pia assegurou ontem ao Tribunal que era o jovem preferido por Paulo Pedroso. ‘André’ referiu--se ao nome do ex-deputado do PS quando o procurador João Aibéo lhe perguntou se os clientes da pedofilia tinham casapianos preferidos. O jovem falou então em Pedroso e frisou que Carlos Cruz tinha uma predilecção especial por um seu colega.

16 de setembro de 2005 às 13:00

Este último jovem, ‘Pedro’, de 20 anos, já prestou depoimento no julgamento do processo Casa Pia. Admitiu que era o preferido do apresentador e também implicou Pedroso nos abusos sexuais, garantindo, na 62.ª sessão, que o viu na casa de Elvas.

Antes das vítimas, também Carlos Silvino já havia mencionado o nome do ex-ministro do Trabalho.

Paulo Pedroso foi constituído arguido em Maio de 2003, acusado de 23 crimes de abuso sexual de crianças. O político socialista esteve detido de 21 de Maio a 8 de Outubro, sendo libertado por um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa: os desembargadores Carlos Almeida e Telo Lucas (Morais Rocha votou vencido) consideraram que os depoimentos das vítimas que o acusaram não eram credíveis. As vítimas em causa são as mesmas que acusam Carlos Cruz, Ferreira Diniz, Hugo Marçal, Jorge Ritto e Carlos Silvino. Estão todos a ser julgados.

Em 31 de Maio do ano passado, a juíza de Instrução Criminal Ana Teixeira e Silva recorreu a grande parte do acórdão que teve como relator Carlos Almeida para não levar Pedroso a julgamento. Além disso, Ana Teixeira e Silva, no despacho de não pronúncia, considerou não válido o método de reconhecimento utilizado pelas autoridades em relação a Pedroso.

A Casa Pia e o Ministério Público recorreram da não ida do arguido a julgamento e, em Julho de 2004, avançaram para o Tribunal da Relação de Lisboa. Até ontem, o recurso ainda não fora analisado. Sabe-se, apenas, que tem como relator o desembargador Rodrigues Simão.

Mas, como o CM noticiou (22/1/2005), o desembargador Varges Gomes, que chegou a ser relator do recurso antes de Carlos Almeida – que foi afastado pelo Supremo – elaborou um projecto de acórdão que ilibava o político do PS.

Confrontado com as declarações da vítima e de Serra Lopes, João Pedroso, advogado e irmão de Paulo Pedroso, disse: “Não me pronuncio sobre aquilo que não conheço”.

'BIBI' NEGA SER DONO DAS AGENDAS

Carlos Silvino garantiu ontem que as agendas entregues por ‘André’ à juíza Ana Peres, na sessão de quarta-feira, não lhe pertencem.

‘Bibi’, que foi ouvido sem a presença da vítima na sala de audiências, frisou que as agendas que utilizava eram maiores do que aquelas que o jovem confiou ao Tribunal. Chegou mesmo a observar que a letra dos escritos não era a sua e, na curta declaração que prestou, referiu ainda que não tinha fotografias.

Depois das declarações de ‘Bibi’, ‘André’ voltou a prestar depoimento. Falou de Paulo Pedroso e de Carlos Cruz. Afirmou não se lembrar se o apresentador era circuncidado. Mas foi peremptório ao dizer que o arguido tem uma mancha no pénis.

Na parte da tarde, o jovem foi questionado pelo Ministério Público sobre alguns dos escritos, de sua autoria, que Catalina Pestana entregou ao Tribunal. Da lista de nomes que escreveu, sob o título ‘clientes da pedofilia’, ‘André’ deu a entender que alguns só estão na lista por, de alguma forma, estarem relacionados com o processo Casa Pia, nomeadamente na sua denúncia pública e defesa das vítimas. Informou o Tribunal que os escritos foram feitos numa altura em que se encontrava muito abalado psicologicamente, observando que se refugiava na escrita e recolha de informação para se reconfortar.

Antes de o advogado José António Barreiros pedir a interrupção da sessão, por cansaço do jovem, este ainda enunciou as casas e locais relacionados com a pedofilia – Av. das Forças Armadas, Ajuda, Cascais, Elvas, Vila Viçosa, Tagus Parque, Churrasqueira do Campo Grande – que reconheceu na companhia da Polícia Judiciária.

GRANJA ELOGIA VÍTIMA, ABRANTES ATACA

Adelino Granja garante que ‘André’, o chamado braço-direito de ‘Bibi’, tem um discurso “fluente” e “certinho”. “Como não estou dentro do processo, não sei se há contradições ou não. Agora que ele está a falar com calma e serenidade, isso está, embora se sinta um bocado cansado”, afirmou ontem, à saída do Tribunal, o advogado de ‘Joel’, o jovem que denunciou ‘Bibi’.

Manuel Abrantes tem opinião contrária. “O discurso do cavalheiro já não é tão pensado como estava a ser. A partir do intervalo de hoje, quando começou a ler cábulas, acho que estragou tudo”, afirmou o ex-provedor-adjunto da Casa Pia, acusado de 38 crimes de abuso sexual sobre este jovem.

Recorde-se que após a primeira sessão em que o braço-direito de ‘Bibi’ foi ouvido, na segunda-feira, Abrantes afirmou que ‘André’ tinha um discurso “muito direito”.

DETIDO NO PARLAMENTO

A 21 de Maio de 2003, o juiz Rui Teixeira deslocou-se à Assembleia da República para pedir o levantamento da imunidade parlamentar de Paulo Pedroso e solicitar a sua audição como arguido do processo Casa Pia. Na mesma altura, Ferro Rodrigues, então líder do PS, revelou que o seu nome também podia estar envolvido no processo e acusou terceiros de “testemunhos forjados” para “manchar a honra e credibilidade do partido”. Pedroso acabou por ficar em prisão preventiva.

FESTA NA ASSEMBLEIA

Quase cinco meses depois de ter sido preso, Paulo Pedroso foi o primeiro arguido do processo Casa Pia a ser solto, por determinação do Tribunal da Relação. Almeida Santos, Jorge Lacão, Ferro Rodrigues, o actual ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, e o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, fizeram questão de proporcionar uma recepção apoteótica ao ex-porta-voz do PS na Assembleia da República.

A NÃO PRONÚNCIA

Acusado de 15 crimes de abuso sexual, Pedroso foi o único dos arguidos acusado pelas principais testemunhas que não foi levado a julgamento pela juíza Ana Teixeira e Silva, que desvalorizou o depoimento das vítimas e considerou ilegal a forma como o deputado foi reconhecido. O Ministério Público recorreu para a Relação, onde o processo ainda se encontra.

POLÍCIAS ARRUMADORES

Com o início do ano judicial, os agentes da PSP em serviço no Tribunal da Boa-Hora passam a maior parte do tempo a arrumar carros de juízes.

MUDANÇA DE PROCESSO

Os 144 volumes do processo Casa Pia, com cerca de 35 mil folhas, voltam hoje a ser transferidos de Tribunal: da Boa-Hora para Monsanto.

REGRESSO A MONSANTO

‘André’ vai continuar a ser ouvido no julgamento de pedofilia, mas a partir de segunda-feira as sessões decorrerão em Monsanto.

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