"Milagre.” Foi esta a expressão mais usada pela equipa médica do Hospital de Santa Maria que no sábado assistiu e operou Rafaela, filha de Miguel, jogador do Valência. A menina, que sofreu uma fractura num dos braços e numa vértebra, foi milagrosamente amparada por um canteiro de plantas (que contorna todo o perímetro do edifício), quando caiu do 9º para o 3º andar, num prédio situado numa das principais avenidas do Parque das Nações, em Lisboa.
Ontem, a criança, depois de na véspera ter sido operada à fractura exposta no braço (úmero), não aparentava ter passado por uma situação tão complicada. “Está muito bem-disposta. O susto já passou”, disse ao CM fonte próxima de Miguele da mulher, Soraia.
Ao que o nosso jornal apurou, tudo aconteceu depois da hora de almoço de sábado, numa altura em que a pequena Rafaela, de seis anos, ficou sozinha por instantes no quarto. Quando regressou para junto da filha, Soraia acorreu à janela e viu ainda a menina levantar-se após a queda no terceiro andar, que tem um enorme pátio. O pânico instalou-se de imediato. “O INEM chegou com duas viaturas quase ao mesmo tempo que os familiares, que saíram aos gritos dos carros para dentro do prédio”, revelou um funcionário de um estabelecimento comercial que presenciou todo o aparato.
Apesar da insistência do CM, apenas um proprietário de um dos terceiros andares do prédio disse que a menina poderá ter sido salva por “um toldo ou um canteiro” do prédio de 15 andares na Av. D. João II.
Miguel ficou desesperado quando soube do acidente, e só recuperou alguma tranquilidade, confessou uma fonte ao CM, quando a filha saiu do bloco operatório.
Paulo Barbosa, empresário do jogador, disse ao Correio da Manhã que a cirurgia “correu muito bem”. Depois de ter saído do estágio do Valência, devidamente autorizado, ainda não é certo o regresso do português a Espanha. Ontem, o clima entre familiares e amigos que passaram pelo hospital era bem mais tranquilo. A família da Miguel remeteu-se ao silêncio.
TRANSFERÊNCIA DE HOSPITAL
O internacional português Miguel, sabe o CM, tentou transferir a filha do Hospital Santa Maria para uma unidade hospitalar privada. Contudo, o defesa do Valência foi aconselhado a manter a filha na unidade hospitalar pública, uma vez que estava a ser acompanhada por uma das melhores equipas médicas nestes casos, liderada pela dra.
Graça Lopes, responsável pelo Departamento de Ortopedia Infantil. Uma fractura na quarta vértebra fez tremer Miguel e os familiares, mas os exames não detectaram problema algum a nível neurológico.
DISCURSO DIRECTO
'VARANDAS VÃO TER ALTURA MÍNIMA', Helena Botte Assoc. Promoção da Segurança Infantil
Correio da Manhã – Há muitas crianças que caem de varandas em Portugal?
– Mais importante do que o número é o facto de acontecerem e provocarem lesões graves ou a morte. São mais frequentes até aos 4 anos, quando a cabeça da criança é mais pesada em relação ao corpo. A criança não se atira, espreita, e o peso da cabeça desequilibra-a.
– O que há a fazer para evitar?
– Pôr a tónica na responsabilidade de quem projecta, licencia, constrói e fiscaliza. O Regulamento Geral de Edificações é antigo e não impõe altura mínima para guardas de varanda. Está a ser elaborada uma norma que impõe altura mínima de 1,10 metros e proíbe elementos de apoio e aberturas maiores que 9 cm.
– Que conselhos dá aos pais?
– Verificar se a sua varanda é segura, não ter na varanda o que possa ser usado para trepar como cadeiras ou até vasos. E ter noção de que a vigilância é importante, mas que falha facilmente.n
MENINO DE QUATRO ANOS FORA DE PERIGO
O menino de quatro anos que caiu de uma altura de quatro metros ao se encostar a uma clarabóia do terraço de um prédio em Peniche encontra-se bem de saúde, mantendo-se sob vigilância no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Segundo apurou o CM, a criança fez uma TAC, que não confirmou a suspeita inicial de traumatismo crânio-encefálico.
A queda verificou-se pelas 19h00 de sábado, num apartamento na rua António Conceição Bento, junto ao Tribunal de Peniche.
A criança estava com familiares na casa de amigos, quando, de um terraço do 1º andar onde estão várias clarabóias, acabou por cair para o rés-do-chão. A clarabóia não estava fechada, o que terá levado o menino a desequilibrar-se ao empoleirar-se no vidro. Foram para o local os bombeiros, Protecção Civil, SIV de Peniche e a VMER de Torres Vedras, que tiveram de arrombar a porta do apartamento do rés-do-chão.
Após avaliação médica no Hospital de Peniche, o menino foi transferido para a Urgência de Neurologia Pediátrica do Santa Maria. A Câmara de Peniche disponibilizou assistência social à família. Os proprietários dos apartamentos recusaram prestar declarações.
VALÊNCIA: APOIO DOS COLEGAS
Os colegas do Valência dedicaram o triunfo de ontem diante do Santander (1-0) ao lateral-direito Miguel e à filha Rafaela. O golo do conjunto valenciano foi apontado por Zigic
ACIDENTES: 700 MORTOS
Estima-se que em Portugal morram anualmente cerca de 700 crianças em acidentes. Sabe-se também que cerca de 66 por cento são acidentes domésticos e 34 por cento rodoviários
QUEDAS: PRINCIPAL CAUSA
Quedas são a principal causa de internamento até aos 14 anos. Até um ano, são responsáveis por 73% de internamentos; do 1 aos 4 por 50%; dos 5 aos 9 por 75%; e dos 10 aos 14 por 82%
TAXAS DE MORTALIDADE INFANTIL EM PORTUGAL
TAXA DE MORTES POR CADA 100 MIL CRIANÇAS E JOVENS DOS 0 AOS 19 ANOS
Queimaduras - 0,18
Afogamentos 0,61
Quedas 0,62
Homicídios 0,46
Envenenamento/intoxicação 0,23
Acidentes rodoviários 8,66
Como passageiros 1,76
Como peões 1,41
Como ciclistas 0,13
Suicídios 0,70
Maus tratos 16,81
Fonte: Organização Mundial da Saúde
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