Marcas de cortes nos braços mostram que menina de 10 anos se tentou proteger dos golpes. PJ acredita que terá sido assassinada antes da mãe .
Índia, de dez anos, tentou defender-se do pai que a esfaqueava. As marcas de cortes nos braços não deixaram dúvidas aos peritos da Polícia Judiciária de Braga que, no último sábado, estiveram dentro da casa onde jaziam os corpos da criança e da mãe, Zulmira. A menina terá sido assassinada de madrugada, e o cadáver foi encontrado no chão da sala. O pouco sangue naquela zona indicia que a criança não terá sido morta naquele compartimento.
A PJ admite que tenha sido ela a arrastar-se, ainda com vida, provavelmente acreditando que poderia ser salva. Mas as autoridades não excluem a hipótese de a mãe a ter carregado, acabando por a deixar na sala, ao perceber que já nada havia a fazer para salvar a criança. Sérgio, recorde-se, matou a mulher e a filha à facada por ciúmes da primeira, que se prostituía. E o exame ao local onde ocorreu o brutal homicídio – o alerta foi dado pelas 07h00 por uma amiga que entrou no prédio número 27 da rua de Luís Soares Barbosa, em S. Vítor, Braga – mostra ainda que Zulmira Tarmamade, 33 anos, terá sido a segunda a morrer.
O sangue espalhado por vários compartimentos leva a PJ a acreditar que a mãe terá chegado a casa de madrugada e encontrado a filha já morta. Foi depois ela própria esfaqueada e também tentou fugir. Foi perseguida pelo agressor, que lhe foi desferindo vários golpes no corpo. A vítima apresentava igualmente várias feridas defensivas. Tal como a filha, lutou pela vida.
Zulmira ainda conseguiu sair da casa. A esvair-se em sangue, pediu ajuda a uma vizinha, que alertou as autoridades. Acabou por morrer no hall de entrada, enquanto chegavam os bombeiros. Sérgio Estorãos, 38 anos, pai e marido das vítimas, foi encontrado na sala. Tinha ferimentos na zona da barriga, ao que tudo indica infligidos por si próprio. Está internado no Hospital de Braga, sem correr perigo de vida. Não foi interrogado, mas mal receba alta será ouvido pelo juiz. Responderá pelos homicídios.
HOMICIDA ESFAQUEOU-SE SEM GRAVIDADE
Ao contrário do que fez à mulher e à filha com apenas dez anos, Sérgio não desferiu golpes de faca profundos em si próprio. O homem apresentava ferimentos na zona da barriga, mas todos eles eram cortes superficiais, apurou o CM. Nunca esteve em risco de vida, podendo ter alta já nos próximas dias.
Dentro da unidade hospitalar onde se encontra, Sérgio está a ser vigiado por polícias e, mal os médicos o autorizem, será detido pelos inspectores da Polícia Judiciária de Braga, que o vão apresentar a primeiro interrogatório judicial.
O agressor será indiciado por dois homicídios qualificados e incorre numa pena até 25 anos de cadeia.
Ainda segundo o CM apurou, Sérgio não explicou aos investigadores os contornos nem os motivos do crime brutal. A faca que usou para matar a família está apreendida.
VÁRIAS QUEIXAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
A história de Zulmira e da pequena Índia é igual à de muitas mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. A violenta agressão de sábado foi apenas a última, mais um episódio de uma história de ciúmes e maus tratos dentro de quatro paredes. Zulmira era frequentemente agredida pelo companheiro, mas voltava sempre à casa onde vivia com a filha de dez anos. Várias vezes chamou a polícia, apresentou e retirou queixas. A vítima prostituía-se e Sérgio já tinha ameaçado que a matava se não abandonasse a rua. Mas era ela o sustento da casa. A filha ficava com pai enquanto a mãe ia trabalhar.
PORMENORES
AUTÓPSIAS
As autópsias só deverão ser hoje concluídas. Os corpos serão depois transladados para Moçambique, onde Zulmira e Índia serão enterradas.
GRÁVIDA E ABANDONADA
Zulmira engravidou de Sérgio em Moçambique, mas foi abandonada. Veio para Portugal à sua procura e aquele acabou por reconhecer a menina como sua filha.
DESEMPREGADO
Sérgio, que terá consumido cocaína antes do crime, é pedreiro mas está desempregado.
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