Marta, de 12 anos, chorava ontem desolada a morte do irmão.
Fábio Nunes, de 21 anos, foi a vítima mortal do acidente com um jipe na Base Aérea nº 6, do Montijo, anteontem à tarde, depois de a condutora ter perdido o controlo da viatura e capotado, numa curva apertada, a caminho da cantina da messe. Fábio Nunes morreu pouco depois, enquanto Cláudia Fernandes, Filipa Esteves e Rúben Matono sofreram ferimentos graves (ver caixas). "O Fábio era o meu herói, o meu grande amigo", disse Marta ao CM, ainda atordoada com a tragédia que atingiu a família, residente em Vilarinho, Santo Tirso.
O tio da vítima recorda que a má notícia chegou oficialmente à família cinco horas após o acidente e apanhou a mãe de Fábio de surpresa, quando chegava do trabalho. "Ela tinha ouvido qualquer coisa no rádio, na fábrica, mas nunca pensou que fosse o Fábio", disse Vítor Matos. "Pensamos sempre que as más notícias chegam depressa, mas ninguém da família sabia do acidente até terem chegado os senhores da Força Aérea". O capelão e um oficial da Base Aérea de São Jacinto, em Aveiro, foram os portadores da dramática notícia. Como manda o protocolo militar, foram ambos pessoalmente a casa de Fábio, em Vilarinho.
"A mãe dele, quando viu o capelão, percebeu logo que tinha sido o Fábio que morrera no acidente." Em choque, Manuela Monteiro teve ainda a difícil missão de falar com o marido, que trabalha em Londres. O pai de Fábio viajou ontem para Portugal. "A Força Aérea era a vida dele. Desde menino que queria ir para lá e adorava aquilo", conta ainda o tio. Fábio Nunes alistou-se na FAP aos 19 anos e esteve na base da Ota até ao último Verão, altura em que fez contrato de trabalho e passou para a base do Montijo.
"Ele queria ser mecânico de aviões, mas não passou nos testes e ficou nos bombeiros", refere a irmã. "Desde que ficasse a trabalhar na Força Aérea já era feliz", acrescentou Marta, recordando que Fábio passava muito tempo com ela sempre que ia a casa. "Até me ajudava nos estudos, ele foi sempre muito bom aluno."
ESTADO DE DUAS JOVENS EVOLUI
Continuam internadas no Hospital de São José, em Lisboa, as duas jovens militares, de 21 e 27 anos, envolvidas no acidente na Base Aérea do Montijo. A mais nova, ao que o CM apurou, era a condutora do jipe. O estado de Cláudia Fernandes (Leiria) e Filipa Esteves (Santo António dos Cavaleiros, Loures) tem evoluído, mas ainda se encontram em estado grave. Uma apresenta uma fractura no braço e lesões a nível vertebro-medular; a outrasofreu um traumatismo facial.
PORMENORES
DE MADRUGADA
O corpo chegou esta madrugada a Vilarinho, onde o funeral se realiza hoje, às 16h00. A mãe do jovem teve de se deslocar a Setúbal para tratar dos assuntos burocráticos.
CAPELA ESTAVA FECHADA
O padre da paróquia de Vilarinho não queria abrir a capela porque o corpo chegaria de madrugada, mas a família acabou por o convencer a deixar a porta aberta.
FÁBIO PASSAVA FOLGAS EM CASA
Em Vilarinho, os familiares e amigos de Fábio lembram um jovem pacato e amigo. Passou o último fim-de-semana de folga em casa dos pais e, como fazia habitualmente, foi visitar os avós, que moram na mesma zona. O avô materno estava ontem inconsolávele os vizinhos tentavam apaziguar-lhe a dor, recordando o jovem."O futebol era a segunda paixão, depois da Força Aérea. Quando estava de folga ia jogar futebol com a malta", contaram.
RÚBEN EM ESTADO CRÍTICO
O estado de saúde de Rúben Matono, jovem bombeiro de 20 anos, continua a preocupar os médicos do Hospital de Santa Maria, Lisboa, unidade para onde foi transferido de helicóptero, anteontem, após o acidente de viação na base do Montijo. O estado de saúde da vítima é muito grave, depois de ter sofrido lesões a nível craniano. "Um camarada nosso está a lutar pela vida, pois o estado dele é preocupante. A situação está estabilizada, mas o quadro clínico é muito reservado", disse ontem ao nosso jornal uma fonte da Força Aérea.
Devido à gravidade da situação, a família de Rúben Matono tem contado com o apoio da Força Aérea, que disponibilizou psicólogos para acompanharem os em permanência as pessoas mais próximas.
Natural de Santarém, Rúben Matono está ventilado e tem contado com a presença de vários familiares no hospital. Contactada pelo CM, a irmã de Rúben, Vanessa Matono, também ela militar da Força Aérea – destacada na base das Lajes, ilha Terceira, nos Açores – diz que poucas informações tem sobre o que se passou. O irmão é um dos três feridos do acidente.
DISCURSO DIRECTO
"NÃO PODE REPETIR-SE": Tenente-Coronel Paulo Gonçalves RP Força Aérea
Correio da Manhã – Algo falhou para acontecer um acidente tão grave na Base Aérea do Montijo. Há alguma conclusão?
Tenente-coronel PauloGonçalves – Ainda é muito cedo para avançar com conclusões. Abrimos um inquérito para uma investigação rigorosa das causas deste acidente grave. O que sabemos é que isto não pode voltar a repetir-se.
– Que apoio está a ser dado às famílias das vítimas?
– Na Força Aérea temos procedimentos próprios para apoiar as pessoas intervenientes em acidentes, bem como as suas famílias em casos mais extremos.Estamos solidários.
NOTAS
HI5: XUTOS E GATO FEDORENTO
Na rede social hi5, Fábio, que se assume como benfiquista, define-se como divertido, tímido, honesto e amigo do amigo. Diz que gosta dosXutos & Pontapés e dos Gato Fedorento
HOMENAGEM: BASE DE BEJA
Num blogue da Base Aérea n.º 11, em Beja, é prestada uma homenagem às vítimas do acidente.Na net têm sido várias as manifestações de condolências por parte de militares e ex-militares
PISTA: FORÇA AÉREA CONFIRMA
O tenente-coronel Paulo Gonçalves, porta-voz da Força Aérea, confirmou ontem ao ‘CM’ que o acidente se deu numa pista, tecnicamente designada de "área de manobra do aeródromo"
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