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Tiro acidental mata cadete

Pedro Joel Delgado tinha 21 anos e frequentava o 3.º ano da Academia Militar. Foi atingido por um tiro acidental de um colega.

14 de fevereiro de 2010 às 00:30

Um cadete da Academia Militar, na Amadora, morreu anteontem ao final da tarde com um tiro no abdómen, disparado acidentalmente por um colega durante a limpeza das armas, já dentro das instalações da Academia. Pedro Joel Delgado, de 21 anos, frequentava o 3º ano de oficiais da GNR e regressava de um exercício em Mafra , onde passou a última semana, quando foi atingido.

Uma munição esquecida na câmara de uma pistola Glock terá sido o motivo do acidente. Por isso mesmo, a família acredita que tenha havido negligência por parte da instrução. Uma informação sobre a qual o Exército, contactado pelo CM, se recusa a tecer comentários, dizendo que o caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária Militar.

'Tinham de ser respeitadas todas as medidas de segurança e decerto não foram. Ele era o meu ídolo, o meu menino e o grande orgulho da família' desabafa ao CM Pedro Delgado, pai da vítima, sem conseguir controlar as lágrimas. 'Temos a família completamente destruída', acrescenta.

Natural de Tronco, em Chaves, Pedro Joel ia passar o fim-de-semana a casa e tinha a viagem marcada para ontem de manhã, juntamente com a namorada que frequenta o 2º ano da Academia Militar. Pedro era tido pelos colegas como um dos melhores alunos do curso e como 'um exemplo a seguir'.

'Tinha tudo para ser feliz. Era carinhoso e amigo de todos', finalizou o pai, que conta com o apoio da família, em especial da filha mais nova, de 15 anos.

A autópsia será realizada amanhã e o corpo será levado de seguida para Tronco, onde terá lugar o funeral.

'SER OFICIAL ERA O SEU SONHO'

'Ele estava há três anos na Academia Militar e o sonho dele era ser oficial da GNR', recordava ontem emocionado Abílio Queiroga, tio de Pedro Joel, o primeiro a ser avisado do trágico acidente, anteontem cerca das 18h00.

'Primeiro disseram-nos que tinha tido um grave acidente, mas depois quando liguei para o telemóvel dele e já não atendeu temi logo o pior', contou Abílio, em Tronco, freguesia em Chaves, de onde o jovem é natural. Lavada em lágrimas, Luciana Delgado, tia do cadete, era ontem o rosto da dor e do luto. 'Era muito querido por todos, muito trabalhador. Ainda há pouco semeou centeio e o dinheiro da venda servia para ele pagar as suas despesas. Ainda nem acredito no que aconteceu', desabafou a mulher.

O funeral de Pedro Joel ainda não está marcado, mas ao que tudo indica deverá realizar-se 3ª feira.

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