Presidente dos EUA já se reuniu separadamente com Zelensky e Putin, elaborou um plano de paz e patrocinou várias cimeiras.
Presidente dos EUA já se reuniu separadamente com Zelensky e Putin, elaborou um plano de paz e patrocinou várias cimeiras.
Antes de chegar à Casa Branca para cumprir um segundo mandato, em janeiro de 2025, Donald Trump referiu ser capaz de terminar a guerra na Ucrânia em 24 horas. Disse-o com todas as letras em maio de 2023, numa entrevista a Nigel Farage, na CNN internacional, lembrando que a sua proximidade com Putin facilitaria uma eventual negociação de paz, e atirando culpas para Joe Biden, que na sua opinião nada fez para acabar com o conflito.
Dois anos depois, já como presidente do EUA, admitiu que estava a ser um pouco sarcástico quando traçou tão ambicioso objetivo: "O que eu realmente queria dizer é que gostaria de resolver o problema e penso que vou ser bem-sucedido."
Neste dia 24 de fevereiro cumprem-se quatro anos do início da invasão da Ucrânia pela Rússia, e o conflito continua, apesar dos esforços do presidente norte-americano.
Trump e a sua administração, na realidade, têm estado empenhados em colocar um ponto final no conflito. Umas vezes defendendo mais os interesses russos, outras mais do lado dos ucranianos. Certo é que a dada altura os Estados Unidos assumiram-se como os principais negociadores e patrocinadores de um processo de paz/cessar-fogo, em detrimento da Europa.
O primeiro encontro entre Zelensky e Trump, em fevereiro de 2025, não correu bem. Na sala oval da Casa Branca, e no meio de jornalistas, o presidente norte-americano humilhou o líder ucraniano. Num dia que serviria para os dois países assinarem um acordo sobre a exploração de recursos minerais em troca de apoio ou garantias de segurança contra a Rússia, o líder norte-americano acusou Zelensky de querer iniciar uma terceira guerra mundial e de ser pouco grato aos EUA, no que foi apoiado por JD Vance, também presente. Zelensky abandonou a Casa Branca sem assinar qualquer acordo.
Em maio de 2025 surgiram alguns sinais que deixavam antever que o final do conflito podia estar para breve. Numa publicação nas redes sociais, Trump anunciou que tinha mantido uma conversa telefónica com Putin que tinha corrido muito bem, revelando que a Rússia e a Ucrânia estavam prestes a iniciar “negociações imediatas para um cessar-fogo e, mais importante ainda, para o fim da guerra”.
No mesmo dia, mais cauteloso, Putin falou apenas numa "conversa útil", lembrando que um cessar-fogo só seria possível mediante a concretização de certos acordos, sobretudo relacionados com questões territoriais. Uma posição que se mantém até hoje.
Trump falou também com Zelensky, a dar-lhe conta da conversa com Putin, e com vários líderes europeus. Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, chegou a agradecer-lhe pelos "esforços incansáveis para alcançar um cessar-fogo na Ucrânia".
O pouco que foi alcançado foi um pequeno cessar-fogo, de 48 horas, em julho, para a troca de mais de mil prisioneiros entre os dois países. De resto, os ataques continuaram.
Agosto de 2025 assinalou outro marco histórico, com um encontro presencial entre Trump e Putin, em Anchorage, no Alasca. Mas após três horas de reunião, apesar de ambos terem falado numa reunião "construtiva" e "muito produtiva", não foi possível chegar a um acordo para a paz, nem sequer para um cessar-fogo.
A partir daqui existiram várias cimeiras e encontros, na maioria das vezes envolvendo o enviado especial norte-americano Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump.
Das palavras aos atos, em novembro de 2025 os Estados Unidos apresentaram um plano de paz para colocar um ponto final na guerra, um documento com 28 pontos, logo rejeitado pela Ucrânia, porque continha várias concessões à Rússia - implicava a entrega da Crimeia e de outros territórios ucranianos tomados à força pelos russos, além de outros pontos controversos.
Perante a recusa de Zelensky, dias depois o plano inicial dos Estados Unidos, considerado muito favorável à Rússia, foi substituído por outro que levava mais em consideração os interesses da Ucrânia. Admitia a perda de territórios, mas só se a população ucraniana desse 'luz verde' através de um referendo, além de incluir garantias de segurança e um acordo para a reconstrução do país.
A Rússia recusou e acusou a Ucrânia de tentar sabotar as negociações para o fim do conflito entre os dois países, referindo que o novo texto apresentado por Kiev era "radicalmente diferente" do que Moscovo tinha negociado com Washington.
Mais recentemente, em janeiro, foram dados novos passos, sempre com o alto patrocínio da administração Trump. Ucrânia e EUA chegaram a acordo sobre garantias de segurança para Kiev e Zelensky anunciou a realização de uma cimeira trilateral entre Ucrânia, Estados Unidos e Rússia, nos Emirados Árabes Unidos. Uma iniciativa que partiu de Washington. Mas daqui não saiu fumo branco.
Mais recentemente, em Genebra, na Suíça, decorreu mais uma ronda de negociações tripartidas. A 17 de fevereiro, e de acordo com a agência France Press, a reunião foi bastante tensa. E no dia a seguir, o último da cimeira, foi anunciado que existiram alguns progressos", mas que não foi alcançado qualquer acordo.
“Foi feito algum trabalho preparatório, mas as posições divergem, porque as negociações não foram fáceis”, disse o presidente ucraniano, reiterando que na base da discórdia permanecia o destino dos territórios ocupados no leste da Ucrânia e o futuro da central nuclear de Zaporijia, que está sob controle da Rússia.
O grande ponto de discórdia continuam a ser as exigências da Rússia para que a Ucrânia abandone as regiões de Donbass e outras áreas ocupadas, pedidos que Kiev recusa categoricamente, pois significariam a rendição territorial.
Além disso, a Ucrânia não abdica das garantias de segurança (semelhantes ao Artigo 5.º da NATO) para evitar uma nova invasão russa e recusa-se a abrir mão da adesão a alianças ocidentais, como tornar-se membro da NATO e da União Europeia.
Contra este impasse, Trump nada tem conseguido fazer. Como disse Zelensky numa entrevista recente ao The Atlantic, "não haveria maior vitória para Trump do que travar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia". "Seria uma vitória para ele, uma vitória política", acrescentou o líder ucraniano. Mas para já, passados quatro anos, a guerra continua...
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