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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Amnistia Internacional exige libertação de portuguesa detida na Líbia

Ana Margarida França Santana Baptista está detida com outros nove ativistas há mais de duas semanas no leste do país.

11 de junho de 2026 às 13:07

A Amnistia Internacional (AI) exigiu esta quarta-feira a libertação de uma cidadã portuguesa e de outros nove ativistas detidos há mais de duas semanas no leste da Líbia, quando participavam numa missão internacional para levar ajuda humanitária a Gaza.

Num comunicado, a organização de defesa dos direitos humanos acusou as Forças Armadas Árabes da Líbia (LAAF), que controlam grande parte do leste e sul do país, de manterem os ativistas em detenção arbitrária e de os terem submetido a desaparecimento forçado após a sua detenção, em 24 de maio.

Segundo a AI, os 10 membros da Caravana Terrestre Global Sumud, provenientes de Portugal, Argentina, Itália, Polónia, Espanha, Tunísia, Uruguai e Estados Unidos, foram detidos quando se deslocavam para a cidade de Sirte para negociar a passagem da caravana humanitária rumo a Gaza.

A organização afirmou que os ativistas permaneceram incomunicáveis entre dois e nove dias antes de serem interrogados pelas autoridades judiciais, que ordenaram a sua prisão preventiva enquanto decorre uma investigação por alegada "reunião sem autorização".

Caso sejam condenados, os detidos enfrentam penas até seis meses de prisão e o pagamento de multas.

"Ao mesmo tempo que os palestinianos em Gaza enfrentam condições humanitárias catastróficas, é vergonhoso que pessoas que procuravam prestar assistência humanitária tenham sido alvo de detenção arbitrária e desaparecimento forçado", declarou Mahmoud Shalaby, investigador regional da Amnistia Internacional.

A organização apelou às autoridades líbias para libertarem "imediata e incondicionalmente" os ativistas e garantirem o acesso regular a familiares, representantes consulares, advogados e cuidados médicos.

De acordo com a AI, os detidos, com idades entre os 30 e os 70 anos, iniciaram uma greve de fome entre 01 e 04 de junho para protestar contra a sua detenção e contra as restrições de contacto com advogados e familiares.

A organização relatou ainda que vários ativistas sofreram complicações de saúde durante o protesto, alegando que recebem cuidados médicos insuficientes no centro de detenção da Agência de Segurança Interna (ISA), em Benghazi.

Segundo o comunicado, um dos detidos terá sido privado do acesso regular à medicação para a diabetes, enquanto outros apresentaram episódios de hipoglicemia, desmaios e, num caso, uma convulsão.

A missão humanitária Global Sumud tinha partido da Mauritânia em abril com o objetivo de chegar a Gaza por via terrestre, transportar ajuda humanitária e apoiar esforços de reconstrução.

A caravana, composta por mais de 200 participantes, interrompeu a viagem a cerca de nove quilómetros de Sirte devido a preocupações de segurança relacionadas com a presença de homens armados na área.

A 24 de maio, uma delegação de 10 participantes deslocou-se a Sirte para solicitar autorização às autoridades locais para prosseguir a viagem, tendo sido detida num posto de controlo por elementos ligados às LAAF.

Segundo a Amnistia Internacional, os ativistas foram posteriormente transferidos para Benghazi e mantidos incomunicáveis durante vários dias.

As autoridades de Benghazi alegaram, por sua vez, que a caravana entrou no território sem cumprir os procedimentos legais exigidos nem obter as autorizações necessárias para circular no país.

A equipa jurídica da missão rejeitou essa versão, afirmando ter mantido contactos durante meses com as autoridades competentes e obtido garantias para a passagem segura da caravana.

A Líbia permanece dividida desde 2014 entre administrações rivais sediadas em Trípoli e Benghazi, que disputam o controlo do país.

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