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Câmaras de trânsito 'hackeadas' e espionagem de ponta: tudo sobre a operação que levou à morte do líder supremo do Irão

Espiões israelitas estudaram durante meses o padrão de vida de Ali Khamenei. Ataque de sábado foi planeado ao pormenor com os EUA.

03 de março de 2026 às 14:51

Um relatório citado pelo Financial Times (FT), sobre a operação que levou à morte de Ali Khamenei no sábado, revela que espiões israelitas conseguiram ter acesso durante anos a praticamente todas as câmaras de trânsito de Teerão para assim controlarem os movimentos do líder supremo do Irão.

De acordo com o FT, as autoridades israelitas conseguiram também seguir o rasto de seguranças, guarda-costas e motoristas, assim como de altos funcionários iranianos, para assim entenderem melhor o padrão de vida e a forma de Ali Khamenei se mover. Toda a informação era partilhada com os Estados Unidos.

As forças de inteligência israelitas dispunham de dados em tempo real, incluindo imagens de câmaras de trânsito apontadas ao complexo onde residia Ali Khamenei, que eram transmitidas para servidores em Telavive. Foi também utilizado um um método matemático de análise de redes sociais e milhares de pontos de dados que ajudaram a identificar alvos para vigilância.

“Conhecíamos Teerão como conhecemos Jerusalém”, disse ao Financial Times um atual oficial da inteligência israelita.

O relatório menciona ainda que Israel utilizou ferramentas de Inteligência Artificial, juntamente com algoritmos, para analisar a vasta quantidade de informações recolhidas sobre a liderança iraniana e os seus movimentos.

O plano para matar o líder supremo do Irão já estava a ser estudado há meses por Israel e Estados Unidos. Era uma questão de tempo e oportunidade. A oportunidade surgiu quando as forças israelitas souberam que Ali Khamenei iria participar presencialmente numa reunião, num complexo na rua Pasteur, em Teerão.

E assim foi. No sábado, dia do ataque, as câmaras de trânsito hackeadas entraram em ação e foi possível confirmar que a reunião estava a decorrer no horário previsto e que Khamenei estava presente. Sempre em conjunto com os Estados Unidos, todas as informações foram estudadas ao pormenor.

Para que nada falhasse nesta operação, Israel designou dois altos funcionários para confirmarem, de forma independente, a presença do líder supremo do Irão na referida reunião. Algo que foi confirmado por ambos. Para que não restassem dúvidas, o Financial Times revela ainda que do lado americano surgiu também a confirmação da presença de Ali Khamenei.

A partir daqui tudo se precipitou. A bordo do Air Force One a caminho do Texas, Donald Trump terá dado ordens para se iniciar o ataque. Caças israelitas, na posse de toda a informação, dispararam cerca de 30 munições de alta precisão contra o complexo onde o líder supremo do Irão se encontrava.

Os militares israelitas confirmaram que os ataques foram realizados durante o dia para tirar partido do efeito surpresa. E na altura foram interrompidas todas as comunicações no local, num total de 12 antenas, "deixando o adversário sem capacidade de ver, coordenar ou responder eficazmente”, afirmou o General Dan Caine.

Horas depois, já após Trump ter feito o anúncio, foi confirmada por Teerão a morte de Ali Khamenei, inicialmente na conta de Telegram da agência estatal IRIB, que revelava que “o Líder Supremo da Revolução Islâmica do Irão foi martirizado no seu local de trabalho no Beit Rahbari” e que o ataque tinha ocorrido nas primeiras horas da manhã de sábado”.

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