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CPJ alerta para aumento da "repressão" contra jornalistas em países do Golfo

Entidade denuncia também o uso do conflito para "criminalizar a informação que mina as narrativas estatais".

19 de maio de 2026 às 23:06

O Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) alertou esta terça-feira para uma "campanha de repressão" em crescendo contra os jornalistas e meios de comunicação nos países do golfo Pérsico desde o início da guerra no Irão.

Esta campanha, segundo o CPJ, corre o risco de "se tornar permanente".

Aquela entidade denuncia também o uso do conflito para "criminalizar a informação que mina as narrativas estatais".

Num comunicado, o CPJ indicou que há indícios de um aumento dos casos de detenções, intimidações e processos legais e económicos contra jornalistas e meios de comunicação naquela região, que constitui uma "ameaça significativa e pouco conhecida para a liberdade de imprensa nestes países, onde as liberdades destes profissionais já eram gravemente restringidas".

"Muitos destes incidentes não foram tornados públicos, pois os jornalistas e os meios temem novas represálias por parte das autoridades", acrescenta.

"A repressão cada vez maior está a redefinir a forma como se informa sobre a guerra do Irão", lamentou.

Assim, sublinhou que, embora "as limitações à informação costumem ser justificáveis durante um conflito ativo, para proteger os movimentos das tropas ou permitir operações militares eficazes, as restrições atuais vão muito além das reais preocupações em matéria de segurança nacional".

"Estas novas medidas utilizam uma linguagem ambígua para criminalizar a informação que enfraquece as narrativas estatais ou a moral pública. Ao atuar contra os jornalistas não por revelarem segredos, mas por partilharem informação verificada e de domínio público, as autoridades estão a contornar as necessidades de segurança tradicionais para impor a conformidade ideológica", refere o documento.

Além disso, aquela entidade salientou que o que é conhecido publicamente é "apenas a ponta do icebergue".

A diretora regional do CPJ, Sara Qudá, destacou: "para além dos casos que podemos confirmar publicamente, há um número crescente de agressões que não são denunciadas, silenciadas pelo medo de novas represálias".

"Este clima de intimidação está a obrigar os jornalistas à autocensura, sufocando o fluxo da verdade na sua origem. Não podemos permitir que isto se torne a norma. Os governos devem agir agora para proteger a liberdade de imprensa, garantir a prestação de contas e criar condições para que os jornalistas possam informar sem medo", acrescentou.

Sara Qudá explicou que no centro desta crise encontra-se um "precedente histórico arrepiante".

"A preocupação é que estas restrições de emergência em tempos de guerra não sejam desmanteladas quando cessarem os combates. A história demonstra que as leis promulgadas durante as crises - como o Estado de Segurança Nacional do Barein de 2011, que estabeleceu um quadro legal de censura que persistiu muito após ter terminado a emergência - tendem a sobreviver ao seu propósito original, tornando-se elementos permanentes usados para sufocar a dissidência em tempos de paz", afirmou.

Em países como Kuwait, Barein, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Qatar, as autoridades recorreram a motivos semelhantes para deter jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação desde o início da guerra, tal como indica o texto do CPJ.

"Estes casos implicam sistematicamente o castigo a pessoas e meios de comunicação por atividades jornalísticas rotineiras, como fotografar, filmar ou publicar informações sobre acontecimentos que ocorrem à vista do público", alertou.

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