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Espanha lembra a Trump que acordos comerciais são negociados com a UE

Espanha "conta com os recursos necessários" para responder a "possíveis impactos" de eventuais decisões norte-americanas.

03 de março de 2026 às 19:16

O Governo espanhol reiterou esta terça-feira  que os acordos comerciais que tem com os Estados Unidos (EUA) são feitos no quadro da União Europeia (UE), depois da ameaça de embargo por parte do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Espanha "é uma potência exportadora da União Europeia e um parceiro comercial fiável para 195 países do mundo, entre eles, os EUA", com quem mantém "uma relação comercial histórica mutuamente benéfica", disseram fontes oficiais do executivo espanhol aos meios de comunicação social.

"Se a administração norte-americana quiser rever" essa relação comercial com Espanha "terá de o fazer respeitando a autonomia das empresas privadas, a legalidade internacional e os acordos bilaterais entre a União Europeia e os EUA", sublinharam as mesmas fontes, que acrescentaram que, de qualquer forma, Espanha "conta com os recursos necessários" para responder a "possíveis impactos" de eventuais decisões norte-americanas, tanto para "ajudar setores" afetados como para "diversificar cadeias de abastecimento".

"De qualquer forma, a vontade do Governo de Espanha é e será sempre trabalhar em prol do livre comércio e da cooperação económica entre países", com "respeito mútuo e cumprindo a legalidade internacional", disse ainda o executivo espanhol.

O Governo realçou, em paralelo, que "Espanha é um membro chave da NATO, que cumpre com os seus compromissos e contribuiu de forma destacada para a defesa do território europeu".

O Presidente dos EUA ameaçou esta terça-feira "cortar todo o comércio com Espanha" por causa da posição do Governo espanhol em relação à ofensiva militar norte-americana contra o Irão.

"Espanha tem sido terrível. Vamos cortar todo o comércio com Espanha. Não queremos ter nada a ver com Espanha", disse Trump.

Espanha rejeitou a utilização por parte dos EUA das bases militares de Rota e Morón, no sul do país, para as operações relacionadas com os ataques ao Irão lançados no sábado, o que levou os norte-americanos a deslocar os aviões cisterna de abastecimento de outras aeronaves que tinham em território espanhol para bases noutros países da Europa.

Além da postura de Espanha sobre os ataques ao Irão, Trump voltou esta terça-feira a criticar também a decisão do Governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, de recusar subir para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional o orçamento dedicado à defesa, como os restantes países-membros da NATO.

Por causa desta questão, Trump ameaçou há meses Espanha com tarifas comerciais extraordinárias, com o Governo espanhol a lembrar também na altura que os acordos comerciais com os EUA são negociados em bloco pela UE.

O Governo de Espanha disse esta terça-feira, antes destas declarações de Trump, que não esperava consequências por recusar a utilização de bases militares pelos EUA para os ataques ao Irão.

Numa conferência de imprensa em Madrid, o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), José Manuel Albares, reiterou a condenação de Espanha aos ataques dos EUA e de Israel ao Irão, lançados no sábado, por ser uma operação unilateral, à margem do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

Segundo o ministro, os ataques não se enquadram, assim, no acordo bilateral entre Espanha e os EUA para a utilização de duas bases militares espanholas (Rota e Morón) pelos norte-americanos.

O MNE realçou que Espanha condena também a retaliação do Irão e considerou "injustificados" os ataques de Teerão a diversos países no Médio Oriente e a uma base militar britânica em Chipre, país-membro da UE.

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