País considerou ridículas e absurdas as críticas de Israel por causa desta posição.
O Governo de Espanha disse esta terça-feira que não espera consequências por recusar a utilização de bases militares pelos Estados Unidos (EUA) para os ataques ao Irão e considerou ridículas e absurdas as críticas de Israel por causa desta posição.
Numa conferência de imprensa em Madrid, o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), José Manuel Albares, reiterou a condenação de Espanha aos ataques dos EUA e de Israel ao Irão, lançados no sábado, por ser uma operação unilateral, à margem do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.
Segundo o ministro, os ataques não se enquadram, assim, no acordo bilateral entre Espanha e os EUA para a utilização de duas bases militares espanholas (Rota e Morón) pelos norte-americanos.
Espanha não espera, por isso, "nenhuma consequência" ou retaliação dos EUA por ter esta posição, acrescentou o ministro, que garantiu não ter recebido qualquer queixa por parte do Governo norte-americano.
O MNE realçou que Espanha condena também a retaliação do Irão e considerou "injustificados" os ataques de Teerão a diversos países no Médio Oriente e a uma base militar britânica em Chipre, país-membro da União Europeia (UE).
Para Albares, os ataques dos últimos dias são um "salto imenso qualitativo e quantitativo" com consequências imprevisíveis.
"Espanha defende a ‘desescalada’, a negociação e o direito internacional. A nossa voz quer equilibrar e trazer razão e também é esse papel que pedimos que desempenhe a UE", disse o chefe da diplomacia espanhola.
"Não podemos resignar-nos a que a guerra seja a forma natural de relacionamento e de estabelecer um equilíbrio de poder no Médio Oriente. A violência nunca traz a paz, nunca traz estabilidade e democracia. A violência traz mais violência e caos", acrescentou.
O MNE disse ainda que Espanha não teme ficar isolada na Europa com estes posicionamentos, sobretudo relativamente a países como Alemanha, França ou Reino Unido, e lembrou que foi feita a mesma análise e colocada a mesma questão por causa de Gaza e da Palestina, acabando por comprovar-se que o Governo espanhol não só não estava isolado, como se adiantou a um entendimento alargado.
"Espanha tem uma política externa coerente" e defende "exatamente o mesmo", e seguindo os mesmos princípios de respeito pelo direito internacional, para o Irão, a Palestina, a Ucrânia, a Gronelândia ou a Venezuela, afirmou o ministro, que considerou que são "muito mais os países e os milhões de pessoas" em todo o mundo que continuam a acreditar no multilateralismo e no direito internacional.
Questionado sobre críticas do MNE de Israel a Espanha por causa das bases militares usadas pelos EUA, Albares considerou "realmente absurda e ridícula" a argumentação do homólogo israelita, sublinhando a coerência da política externa espanhola.
O MNE de Israel, Gideon Saar, criticou na segunda-feira a posição de Espanha no conflito entre Israel, Estados Unidos e Irão e questionou se "isso é estar do lado certo da história".
"Primeiro o Hamas agradeceu a Sánchez. Depois os huthis agradeceram a Sánchez. Agora o Irão agradece. Isso é estar do 'lado certo' da história?", perguntou Saar, referindo-se ao primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, numa publicação na rede social X.
O MNE israelita acompanhou a publicação com uma mensagem da Embaixada do Irão em Espanha na qual esta manifesta apoio à decisão do executivo de Pedro Sánchez de recusar prestar apoio militar aos EUA na ofensiva contra Teerão através das bases militares de Morón e Rota, considerando-a "em consonância com o direito internacional".
Em outra publicação hoje, o MNE israelita questionou que fará "o pobre Sánchez" sem Nicolás Maduro (o líder da Venezuela deposto e capturado pelos EUA em janeiro) e sem Ali Khamenei, o líder supremo do Irão desde 1989, que morreu nos ataques dos últimos dias.
Israel e EUA lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
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