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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Europa prepara plano para desbloquear estreito de Ormuz sem EUA

Projeto poderá necessitar de um mandato da ONU ou da União Europeia.

15 de abril de 2026 às 10:33

O jornal The Wall Street Journal noticiou esta quarta-feira que a França e o Reino Unido estão a preparar um plano para desbloquear o Estreito de Ormuz após o fim da guerra com o Irão, sem envolver os Estados Unidos.

Segundo o jornal norte-americano, a Alemanha poderá juntar-se ao projeto, que poderá necessitar de um mandato da ONU ou da União Europeia.

O Wall Street Journal, que publica esta quarta-feira detalhes do plano, adianta que o Palácio do Eliseu anunciou que irá discutir uma estratégia na sexta-feira, numa videoconferência presidida pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

Esta missão será "puramente defensiva", procurando restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e envolvendo países "não-beligerantes", o que exclui os Estados Unidos, Israel e o Irão, especificou o gabinete de Macron.

Segundo o WSJ, a missão consistirá, em primeiro lugar, em ajudar as centenas de navios presos no estreito a sair, passando depois para uma operação para remover as minas colocadas no local pelo Irão no início da guerra. Por fim, serão fornecidas escoltas militares regulares e vigilância para proteger as embarcações comerciais.

Embora a lista dos países que participam na reunião de sexta-feira ainda não seja clara, o jornal refere que tanto a China como a Índia foram convidadas --- mas ainda não confirmaram a sua presença --- e que a Alemanha fará provavelmente parte do plano, de acordo com um responsável alemão que pediu o anonimato.

A operação terá um perfil mais impactante se conseguir incorporar a Alemanha, que tem recursos essenciais e mais espaço fiscal para a financiar.

No entanto, Berlim enfrenta muitos obstáculos políticos e legais para entrar em missões militares no estrangeiro, observa o jornal nova-iorquino.

Para participar na operação, o Governo alemão necessitaria de aprovação parlamentar, o que, por sua vez, exige um mandato internacional específico.

Esta autoridade poderia vir do Conselho de Segurança da ONU, cujo capítulo IV autoriza o uso da força para além da legítima defesa, mas cuja ativação é complexa.

Em alternativa, a União Europeia poderá optar por alargar o mandato da sua missão EUNavfor 'Aspides', que pode operar desde o Mar Vermelho até ao Golfo Pérsico e parte do Oceano Índico, e que visa proteger os navios de ataques por via marítima ou aérea.

Há um mês, a Espanha manifestou a sua oposição à expansão desta missão devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, mas o WSJ afirma que a operação proposta por Paris e Londres seria modelada a partir da 'Aspides', bem como da 'coligação de aliados' constituída em resposta à guerra na Ucrânia.

O Reino Unido está preocupado, no entanto, com a possibilidade de o Presidente norte-americano, Donald Trump, se opor à operação - por não ter sido incluído -, limitando o âmbito da missão, depois de os líderes europeus se terem recusado a ajudá-lo primeiro a desbloquear o Estreito de Ormuz através da força e depois a bloquear os portos iranianos, indica o jornal.

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