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Guerra no Irão pode causar pior crise energética das últimas décadas

De acordo com a Agência Internacional da Energia, pelo menos 40 infraestruturas energéticas foram "gravemente ou muito gravemente" danificadas.

23 de março de 2026 às 08:01

O diretor da Agência Internacional da Energia (AIE), Fatih Birol, alertou hoje que o conflito no Irão poderá causar a "pior crise energética das últimas décadas".

Segundo Birol, pelo menos 40 infraestruturas energéticas foram "gravemente ou muito gravemente" danificadas devido à guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.

"O mundo poderá enfrentar a pior crise energética das últimas décadas em consequência da guerra no Médio Oriente, uma ameaça maior para a economia mundial", advertiu Birol em declarações no National Press Club em Camberra.

"Até ao momento, perdemos 11 milhões de barris por dia, mais do que as duas grandes crises petrolíferas juntas", de acordo com o responsável, que recordou que nos anos 1970, cada uma dessas crises representou uma perda de cerca de cinco milhões de barris diários, ou seja, "10 milhões no total".

Birol acrescentou que esta crise equivale "a duas crises petrolíferas e a um colapso do mercado do gás reunidos", evocando também os efeitos da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

O responsável sublinhou ainda que "nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se ela continuar neste rumo" e apelou a uma ação coordenada à escala global.

"A economia mundial enfrenta uma ameaça maior, e espero vivamente que este problema seja resolvido o mais rapidamente possível", disse.

O estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, encontra-se bloqueado de facto devido à guerra, desencadeada a 28 de fevereiro por ataques israelo-americanos contra o Irão.

Caso Teerão não reabra a passagem, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou "atingir e aniquilar" centrais elétricas iranianas, "começando pela maior".

Em resposta aos ataques, o Irão tem lançado mísseis e drones contra infraestruturas energéticas em países aliados de Washington e contra navios no Golfo, sobretudo os que se aventuram no estreito.

Na tentativa de conter a escalada do preço do petróleo, os Estados Unidos autorizaram por um mês a venda e entrega de crude iraniano armazenado em navios.

Contudo, Teerão afirmou não possuir qualquer excedente de petróleo bruto em alto-mar.

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