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Irão executa três manifestantes condenados por mortes durante protestos contra o regime

Executados foram considerados culpados de homicídios e de ações conduzidas em benefício dos Estados Unidos e de Israel.

19 de março de 2026 às 22:43

O Irão executou esta quinta-feira três indivíduos condenados pela morte de agentes da polícia durante os protestos que ocorreram em janeiro. Estas execuções, que incluem um jovem de 19 anos, ocorreram na cidade de Qom e são as primeiras oficialmente confirmadas relacionadas com a repressão das manifestações que abalaram o país.

Os protestos tiveram início no final do ano passado, motivados inicialmente pelo aumento do custo de vida, mas rapidamente evoluíram para manifestações de âmbito nacional contra o regime. O ponto alto das mobilizações ocorreu nos dias 8 e 9 de janeiro, tendo sido seguido por uma forte repressão por parte das autoridades.

Os três executados foram considerados culpados de homicídio e de ações conduzidas em benefício dos Estados Unidos e de Israel. Foram condenados pelo crime de “moharebeh”, expressão que significa “fazer guerra contra Deus”, uma das acusações mais graves no sistema jurídico iraniano, de acordo com o jornal The Times of Israel.

As autoridades afirmam que os condenados estiveram envolvidos na morte de dois membros das forças de segurança.

O governo iraniano sustenta que os protestos, inicialmente pacíficos, se transformaram em motins incentivados por potências estrangeiras, envolvendo atos de violência e destruição. Segundo dados oficiais divulgados pelo mesmo meio, mais de 3 mil pessoas morreram durante os confrontos, incluindo agentes de segurança e civis.

No entanto, organizações de direitos humanos apresentam números significativamente mais elevados. A Human Rights Activists News Agency (HRANA) aponta para mais de 7 mil mortos, maioritariamente manifestantes, alertando que o número real poderá ser ainda superior.

Entretanto, o contexto internacional agravou-se com o início do conflito militar, após o fracasso de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Este cenário levou Teerão a endurecer a sua posição interna, advertindo que quaisquer novos protestos serão tratados como atos de hostilidade.

As forças de segurança iranianas afirmaram estar em estado de prontidão máxima, prontas para defender o regime. Paralelamente, o país tem intensificado execuções de indivíduos acusados de ligações a Israel, reforçando a sua estratégia de controlo interno num momento de elevada tensão política e militar.

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