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Itália esclarece que declaração de Londres sobre Ormuz é apenas "política, não militar"

Donald Trump apelou a vários países para que contribuíssem com meios navais para a reabertura do Estreito de Ormuz.

19 de março de 2026 às 17:38

 O chefe da diplomacia italiana esclareceu esta quinta-feira que a declaração de Londres adotada por seis países que se dizem dispostos a contribuir para um plano de reabertura do Estreito de Ormuz é apenas de natureza "política, não militar".

"Trata-se de um documento político, não militar, para trabalharmos em conjunto, para tentarmos criar as condições que garantam a liberdade de circulação marítima, para trabalharmos em conjunto dialogando com as várias partes e enviando mensagens políticas", declarou à imprensa o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, que é também vice-primeiro-ministro do Governo liderado por Giorgia Meloni.

O ministro referia-se a uma declaração conjunta esta quinta-feira adotada por Reino Unido, França, Alemanha, Países Baixos e Japão, além de Itália, na qual estas nações sublinham que "a interferência na navegação internacional e a perturbação das cadeias de abastecimento energético globais constituem uma ameaça à paz e à segurança internacionais" e afirmam-se prontos para "contribuir para os esforços destinados a garantir a passagem segura" pelo Estreito de Ormuz.

Defendendo que a "segurança marítima e a liberdade de navegação beneficiam todos os países", os países signatários pedem ainda uma "moratória imediata e abrangente sobre os ataques a infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás".

"Esperamos que não haja uma escalada. Estamos a trabalhar nesse sentido, inclusive em Ormuz. Este é o significado do documento assinado por vários países, incluindo a Itália. Estamos a trabalhar para garantir a liberdade de circulação marítima (...) para evitar um agravamento da situação energética", precisou Tajani, que reiterou que Itália "não faz parte desta guerra e não quer fazer parte".

O Presidente norte-americano, Donald Trump, apelou a vários países para que contribuíssem, com meios navais, para o esforço de reabertura do Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo.

O estreito está temporariamente fechado pelo Irão desde 15 de março devido às tensões militares em curso, e Trump criticou os aliados da NATO por nenhum se ter manifestado disponível para o fazer com meios militares.

A companhia energética pública do Qatar anunciou que novos ataques de mísseis iranianos, ocorridos esta quinta-feira ao amanhecer, causaram "danos consideráveis" no complexo de gás de Ras Laffan.

Na Arábia Saudita, um drone abateu-se sobre a refinaria da Samref, situada na zona industrial de Yanbu.

Os ataques iranianos são uma retaliação contra a operação militar iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, que resultou na morte de vários líderes e de centenas de civis.

Na sequência dos novos ataques às infraestruturas energéticas, o barril de Brent superou esta quinta-feira os 110 dólares (cerca de 95 euros, ao câmbio atual).

O preço do gás natural para entrega a um mês no mercado TTF dos Países Baixos, de referência na Europa, disparou quase 30%, até superar os 70 euros por megawatt-hora (MWh).

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