Presidente executivo da Lufthansa admitiu que a situação poderá ser diferente noutras regiões do mundo.
A Lufthansa prevê compensar a falta de combustível para aviação vindo do Golfo com importações dos Estados Unidos, Nigéria e Israel, maior produção europeia e reservas comerciais, mas admite menor visibilidade após final de junho.
"A situação não é tão clara como gostaríamos", disse o presidente executivo do grupo, Carsten Spohr, numa conferência telefónica com jornalistas no âmbito dos resultados do primeiro trimestre, referindo que cerca de 25% do querosene consumido na Europa vinha até agora da região do Golfo.
Desta percentagem, "aproximadamente metade será substituída por importações adicionais dos EUA e, sobretudo, da Nigéria. Israel também terá uma pequena participação", detalhou.
O responsável acrescentou que as refinarias europeias também deverão aumentar ligeiramente a produção, enquanto a restante parcela será compensada com reservas comerciais.
"Até ao final de junho, podemos assumir com segurança que os fornecimentos, as reservas e as entregas serão suficientes", afirmou, ressalvando que, depois desse período, "a visibilidade diminui".
O responsável explicou que esta avaliação se baseia nas indicações dos fornecedores de combustível, da indústria e do Governo alemão, que apontam para um horizonte de planeamento de cerca de seis semanas, até à terceira semana de junho.
O presidente executivo da Lufthansa admitiu que a situação poderá ser diferente noutras regiões do mundo e que alguns aeroportos poderão enfrentar problemas de abastecimento, obrigando a escalas intermédias para reabastecimento ou ao transporte adicional de combustível nos aviões.
O gestor deu como exemplo uma situação recente na Cidade do Cabo, em que parte dos aviões teve de fazer escala em Windhoek, na Namíbia, para reabastecer.
A Lufthansa está também a pedir à Comissão Europeia medidas de alívio, incluindo a suspensão temporária das regras de proteção de 'slots', para que o grupo não perca direitos de descolagem e aterragem caso tenha de cancelar voos por falta ou encarecimento do combustível.
O grupo alemão quer ainda autorização para transportar mais combustível nos aviões em determinadas rotas e para usar na Europa combustível Jet A importado dos Estados Unidos sem uma etapa adicional de refinação para o transformar em Jet A1, o combustível normalmente aprovado no mercado europeu.
O gestor explicou que a diferença entre os dois tipos de combustível está sobretudo na temperatura de congelação, uma característica mais relevante em voos sobre regiões muito frias e menos necessária no verão.
O responsável disse que a Lufthansa espera que uma decisão da EASA, a agência europeia de segurança aérea, permita contornar essa etapa adicional de refinação, libertando capacidade nas refinarias europeias para produzir mais combustível para aviação e reduzindo significativamente os custos.
Apesar dos riscos de falhas de abastecimento, o grupo alemão afirmou não esperar grandes problemas no curto prazo, mas admitiu estar a preparar cenários alternativos caso a situação se agrave.
O tema do combustível ganhou peso nos resultados do primeiro trimestre da Lufthansa, que registou um prejuízo líquido de 665 milhões de euros, abaixo das perdas de 885 milhões no mesmo período de 2025.
O grupo alemão alertou para custos adicionais estimados em 1,7 mil milhões de euros em 2026 devido à subida dos preços do querosene, mas manteve a previsão de alcançar, no conjunto do ano, um resultado operacional ajustado significativamente acima do registado em 2025. Cerca de 80% das necessidades de combustível do grupo para este ano já estão protegidas contra subidas de preços através de instrumentos financeiros de cobertura.
Os alertas inserem-se num contexto de crise energética na União Europeia, marcada por vulnerabilidades no abastecimento e por choques externos sucessivos, já que o bloco comunitário é dependente de importações de petróleo e derivados e está, por isso, sujeito às perturbações geopolíticas, nomeadamente no que toca ao fornecimento de querosene de aviação.
A guerra no Irão, causada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel, pode afetar rotas estratégicas de transporte de petróleo, como o estreito de Ormuz, pressionando ainda mais os preços e a disponibilidade de combustíveis, com impacto direto no setor da aviação europeia.
Perante essa instabilidade, o setor da aviação tem reforçado medidas de contingência, com algumas companhias aéreas a avançar mesmo para a redução de voos devido ao aumento dos custos de combustível.
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