Explosões continuam a fazer-se ouvir no Irão e em Israel, mas outras capitais do Golfo estão a ser arrastadas para o conflito.
A guerra no Médio Oriente continua a alastrar-se, tendo esta quinta-feira, abrangido o Azerbaijão, atingido por um ataque de um drone iraniano, e registado a intenção de vários países europeus enviarem meios navais para defenderem o Chipre.
Enquanto vários países se apressam a retirar os seus cidadãos dos países atingidos pela guerra, a Europa decide ajudar o membro da União Europeia Chipre, atingido por drones iranianos alegadamente lançados pelo movimento libanês Hezbollah para bases aéreas britânicas.
As explosões continuam a fazer-se ouvir sobretudo no Irão e em Israel, mas outras capitais do Golfo estão a ser arrastadas pelo conflito que o Governo de Telavive pretende manter "até ao fim" com o apoio de Washington.
Entrada de novos atores
A Espanha e a Itália anunciaram esta quinta-feira que vão enviar navios de guerra para Chipre para missões de proteção, depois de uma base aérea britânica na ilha ter sido atingida, na segunda-feira, por um drone iraniano.
Os meios destes países vão juntar-se ao porta-aviões francês 'Charles de Gaulle' e outros navios de guerra gregos que já avançaram na terça-feira.
A Itália também vai enviar ajuda para defesa aérea dos países do Golfo afetados pelos ataques iranianos, segundo anunciou a primeira-ministra, Giorgia Meloni.
Outros países como a Alemanha ou os Países Baixos ponderam seguir o mesmo caminho.
Entretanto, o secretário da Defesa britânico, John Healey, chegou ao Chipre depois de o embaixador cipriota no Reino Unido ter pedido mais cooperação.
Por seu lado, a Rússia afastou a possibilidade de dar ajuda militar ao Irão, garantindo que não foi feito nenhum pedido por Teerão, um aliado próximo de Moscovo.
O Azerbaijão, que faz fronteira com o Irão, é mais um país atingido pela guerra, depois de o aeroporto de Nakhchivan ter sido atacado por um drone iraniano, provocando ferimentos em duas pessoas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros azeri prometeu que "isto não ficará sem resposta".
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou esta quinta-feira que as forças do país darão apoio a países do Médio Oriente na defesa de ataques de 'drones' iranianos, que a Rússia tem usado contra cidades ucranianas desde 2022.
Líderes do Hamas e de grupo iraquiano mortos
Um ataque aéreo israelita matou um líder do Hamas no norte do Líbano, o primeiro líder do grupo islamista palestiniano morto desde o início da ofensiva EUA-Israel contra o Irão.
Os ataques de Israel no país também provocaram a morte de oito pessoas, incluindo seis membros de duas famílias, tendo o exército israelita renovado a sua ordem de evacuação de grandes partes da região sul.
O grupo iraquiano Kataib Hezbollah também anunciou a morte de um dos seus comandantes, Ali Hussein al-Freiji, num ataque contra grupos pró-Irão no Iraque.
O Irão também disparou mísseis contra o quartel-general das forças curdas na região autónoma do Curdistão iraquiano, que alberga tropas norte-americanas.
Por seu lado, o movimento xiita libanês Hezbollah, pró-Irão, reivindicou a responsabilidade por um ataque com mísseis contra posições no extremo norte de Israel.
Novos ataques do Irão e de Israel
Várias explosões atingiram, esta quinta-feira de manhã, Teerão e os seus subúrbios, enquanto o exército israelita anunciava ter identificado novos mísseis disparados a partir do Irão e fazia soar os alarmes em Jerusalém.
"Os sistemas de defesa estão a ser ativados para intercetar esta ameaça", disse o exército em comunicado.
O Irão afirmou ter atingido um petroleiro norte-americano no Golfo que "está atualmente em chamas", mas não adiantou mais pormenores.
Além disso, houve novas explosões na capital do Qatar, Doha, e na capital do Bahrein, Manama, segundo avançaram jornalistas da agência de notícias francesa AFP.
As autoridades do Qatar tinham anunciado algumas horas antes a retirada de residentes próximos da embaixada dos EUA.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, afirmou que o seu homólogo norte-americano, Pete Hegseth, lhe garantiu o firme apoio de Washington e instou-o a continuar a campanha militar contra o Irão "até ao fim".
Já o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, acusou Washington de cometerem uma atrocidade ao afundarem uma fragata da Marinha iraniana perto do Sri Lanka sem aviso prévio, matando pelo menos 87 pessoas, e garantiu que os EUA vão lamentar a decisão.
Um segundo navio de guerra iraniano está esta quinta-feira a caminho do Sri Lanka, no Oceano Índico, com mais de 100 tripulantes a bordo.
Em Abu Dhabi, os estilhaços de drones feriram seis pessoas, perto da base aérea de al-Dhafra, que alberga forças norte-americanas. Os feridos eram do Nepal e do Paquistão.
Repatriamentos continuam
Dois voos -- um de Atenas e outro de Roma -- com israelitas que regressavam ao seu país aterraram esta quinta-feira de manhã no aeroporto Ben Gurion de Telavive, que estava encerrado desde o início da ofensiva, a 28 de fevereiro, anunciou o Ministério dos Transportes.
O Paquistão retirou esta quinta-feira quase 2.000 dos seus cidadãos do Irão, incluindo cerca de três dezenas de diplomatas. Cerca de 3.500 peregrinos, estudantes e empresários paquistaneses estavam no Irão quando os ataques começaram.
A Coreia do Sul também ordenou aos seus cidadãos que abandonem o Irão após emitir proibição de viagens a partir das 18:00 de esta quinta-feira. As autoridades sul-coreanas já retiraram 24 cidadãos do Irão para o Turquemenistão e 62 de Israel para o Egito.
Impacto nos mercados e economia
As Bolsas asiáticas mostram esta quinta-feira uma forte recuperação, após fortes quedas nos últimos dia, enquanto os preços do petróleo dispararam novamente devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz.
Segundo a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, a economia global está "a ser testada mais uma vez" pela guerra no Médio Oriente.
A China solicitou às suas principais refinarias que suspendam as exportações de gasóleo e gasolina devido ao risco de escassez de abastecimento.
Um dos empresários mais poderosos do Médio Oriente, o magnata emiradense Khalaf al-Habtoor teceu duras críticas ao Presidente dos EUA, Donald Trump, e questionou a sua justificação para desencadear a guerra, afirmando, numa mensagem publicada nas redes sociais, que a decisão colocou o Golfo e outros países árabes "no centro de um perigo que não escolheram".
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