Porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar apelou a todas as partes para que atuem com moderação e "em conformidade com o direito internacional".
O Qatar e os Emirados Árabes Unidos condenaram esta quarta-feira o ataque contra instalações iranianas que servem o campo de gás de South Pars/North Dome e que colocou três países árabes sob ameaça de retaliação.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, criticou o ataque esta quarta-feira realizado como um passo "perigoso e irresponsável" e uma ameaça à "segurança energética global", bem como à população da região.
Al-Ansari pediu que se "evitem ataques a instalações vitais" e apelou a todas as partes para que atuem com moderação e "em conformidade com o direito internacional".
Ao mesmo tempo, destacou a necessidade de uma redução das tensões "para que a segurança e a estabilidade da região sejam preservadas".
Os Emirados Árabes Unidos dirigiram também palavras ao ataque contra as instalações energéticas ligadas ao campo de gás de South Pars, "que constitui uma extensão de North Dome no Estado irmão do Qatar", advertindo para "uma escalada perigosa".
Num raro comunicado de desaprovação de um ataque contra o Irão, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Abu Dhabi avisou que as operações militares a este tipo de infraestruturas constituem "uma ameaça direta à segurança energética global" e têm "graves repercussões ambientais", além de exporem "os civis, a segurança marítima e as instalações civis e industriais vitais a riscos diretos".
Depois de os ataques aéreos contra o campo de gás de South Pars, o Irão prometeu retaliar, num contexto que considera de "guerra económica total" e uma escalada desde o início da ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.
"A partir desta noite, as linhas vermelhas mudaram. Se o inimigo pensava que com estes ataques poderia aumentar a pressão sobre o Irão para o obrigar a recuar, cometeu um erro fatal de cálculo", alertaram fontes militares citadas pela agência noticiosa Fars.
O imenso campo de gás de South Pars/North Dome é a maior reserva de gás conhecida no mundo, que o Irão partilha com o Qatar.
Teerão acusa os países do Golfo de permitirem que as forças norte-americanas utilizem os seus territórios para lançar os seus bombardeamentos e, no rescaldo do ataque ao campo de gás de South Pars, colocou sob ameaça "as infraestruturas de combustíveis, energia e gás" dos seus vizinhos na região, segundo um comunicado do Centro de Comando Conjunto, Khatam al-Anbiya.
A televisão estatal divulgou uma lista de potenciais alvos, incluindo instalações de petróleo e gás na Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos, afirmando que "se tornaram alvos diretos e legítimos e serão alvejadas nas próximas horas".
A Guarda Revolucionária do Irão emitiu avisos de evacuação para cinco instalações energéticas nos Emirados Árabes Unidos, Qatar e Arábia Saudita, alertando para contra-ataques nas próximas horas.
A refinaria saudita de Samref, o campo de gás de al-Hosn, nos Emirados Árabes Unidos, o complexo petroquímico de al-Jubail, também nos Emirados Árabes Unidos, a instalação petroquímica de Mesaieed, no Qatar (juntamente com a Mesaieed Holding Company da Chevron), e a refinaria de Ras Laffan, a leste de Doha, são "alvos legítimos", segundo um comunicado da força ideológica do Irão.
Neste sentido, a Guarda Revolucionária instou os cidadãos, residentes e funcionários destas instalações energéticas a abandonarem imediatamente estas áreas e a procurarem abrigo longe destes locais, de acordo com a agência de notícias Tasnim.
A Arábia Saudita indicou entretanto que destruiu um drone que se dirigia para uma instalação de gás no leste do país.
"Um drone que tentava aproximar-se de uma instalação de gás na província oriental foi intercetado e destruído", declarou o Ministério da Defesa de Riade, que não registou danos neste ataque.
Desde 28 de fevereiro, o Irão realizou ataques aéreos com mísseis e drones contra Israel e os países da região, visando em particular bases militares norte-americanas, mas também infraestruturas económicas, e colocou sob ameaça o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
O vizinho Iraque tem sido um dos países mais atingidos pelas operações iranianas e dos seus aliados na região.
Esta quarta-feira as suas centrais termoelétricas ficaram sem o fornecimento de gás iraniano, que foi "completamente interrompido" devido aos "desenvolvimentos na região", segundo o Ministério da Eletricidade de Bagdad.
O país perdeu 3.100 megawatts de capacidade de geração de energia após o anúncio da suspensão total das transferências de gás do Irão, que abasteciam a sua produção, aumentando o risco de colapso da rede elétrica.
Em simultâneo, o Governo e as autoridades da região semiautónoma do Curdistão iraquiano anunciaram esta quarta-feira o reatamento das exportações de petróleo para a Turquia através do oleoduto Ceyhan, após uma suspensão de três anos.
O ministro do Petróleo iraquiano declarou em comunicado nas redes sociais que as operações no oleoduto Ceyhan foram retomadas, "após um período de paragem que representou um desafio significativo para o setor petrolífero", na sequência de um acordo entre Bagdad e as autoridades curdas.
Segundo o governante, a medida contribui para "a reativação de um dos ramos estratégicos de exportação e aumenta a flexibilidade do sistema de exportação de petróleo do Iraque", começando com uma capacidade inicial de 250 mil barris de petróleo por dia.
As exportações iraquianas através da região semiautónoma foram suspensas em março de 2023, após uma decisão de um tribunal arbitral que interrompeu estas operações para a Turquia.
Bagdad depende fortemente do Estreito de Ormuz para as suas exportações, pelo que o setor petrolífero sofreu um rude golpe nas últimas semanas.
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