Agência Internacional da Energia salienta que nova escalada de hostilidades pode alterar a trajetória prevista para o mercado petrolífero.
A Agência Internacional da Energia (AIE) prevê uma queda da procura mundial de petróleo menos acentuada em 2026, assinalando que a recuperação está em curso com um aumento do tráfego pelo estreito de Ormuz em junho, após o cessar-fogo.
No relatório mensal sobre o mercado petrolífero divulgado, esta sexta-feira, a AIE apontou para uma redução da procura de um milhão de barris por dia em 2026, abaixo da estimativa de 1,1 milhões apresentada em meados de junho.
Desta forma, a organização observou que a oferta mundial "recuperou" graças à retoma parcial do tráfego no estreito de Ormuz, mas a produção continua muito abaixo dos níveis anteriores à guerra no Médio Oriente.
Além disso, a AIE salientou que a nova escalada de hostilidades, com ataques por parte dos Estados Unidos e do Irão, põe em causa estas perspetivas e poderá alterar a trajetória prevista para o mercado petrolífero.
"O recomeço dos confrontos armados no Golfo Pérsico esta semana põe em evidência os riscos de não se chegar a um acordo de paz duradouro, algo indispensável para a normalização dos mercados petrolíferos", sublinhou a organização que reúne os principais países consumidores de energia do mundo desenvolvido.
A AIE observou, em junho, uma oferta mundial de petróleo que atingiu os 98,8 milhões de barris por dia e prevê uma média de 102,6 milhões de barris por dia em 2026, sob reserva de um abrandamento das novas hostilidades.
A produção mundial mantém-se "cerca de 9,4 milhões de barris por dia, abaixo dos níveis pré-guerra".
A organização salientou que as reservas mundiais de petróleo aumentaram em junho, pela primeira vez desde o início da guerra no Golfo, no final de fevereiro, em 21 milhões de barris, justificando o aumento com o crescimento dos volumes de petróleo em trânsito nos mares.
No entanto, as reservas dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) voltaram a diminuir em 62 milhões de barris no mês passado.
A AIE prevê que o ritmo de retirada dessas reservas "modere ainda mais em julho e nos meses seguintes".
As reservas de crude fora dos países membros da OCDE também diminuíram, em 37 milhões de barris em junho, impulsionadas por uma "retirada significativa de 41 milhões de barris das reservas terrestres de crude na China, enquanto as importações mantiveram-se em níveis historicamente baixos", realçou a organização.
Às 8h30 (7h30 GMT), o preço do barril de Brent para entrega em setembro caía 0,85% para 75,65 dólares (cerca de 66,17 euros), embora durante a madrugada tenha mantido uma tendência de alta que o colocou nos 76,85 dólares.
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