page view

"Relação já não é o que era": Trump critica Keir Starmer por não ajudar EUA no Irão

Primeiro-ministro britânico recusou autorizar uso de bases aéreas pelos EUA para realizar ataques. "Não tem ajudado em nada", disse o presidente norte-americano.

03 de março de 2026 às 09:54

Donald Trump criticou o primeiro-ministro britânico pela relutância em auxiliar os EUA na campanha contra o Irão, na mais recente troca de galhardetes entre os dois líderes desde que Downing Street fez saber que recusou aos EUA o uso das suas bases para os ataques aéreos no Médio Oriente.

"Não tem ajudado em nada. Nunca pensei ver isso, nunca pensei ver isso do Reino Unido", afirmou o presidente norte-americano ao telefone ao tabloide britânico The Sun, um dia depois de o primeiro-ministro britânico ter reiterado que o país não participaria numa campanha ofensiva contra o Irão — ainda que ressalvando a sua permissão para que Washington utilizes as suas bases aéreas no país para ações de defesa e proteção de aliados no Golfo.

Tal não é, contudo, suficiente para Trump, que comparou desfavoravelmente a posição de Starmer com a de outros aliados, como a França e o chefe da NATO, Mark Rutte. "Têm sido todos incríveis. O Reino Unido tem sido muito diferente", reiterou o chefe de Estado norte-americano, que afirmou que "a relação [com o Reino Unido] muito obviamente já não é o que era".

Trump aproveitou ainda para tecer críticas à política migratória britânica, admitindo mesmo a ideia de que a decisão de não intervir no Irão "pode" ser uma tentativa de apelar à comunidade muçulmana no país.

"Parem de deixar entrar pessoas de terras estrangeiras que vos odeiam", atirou o chefe de Estado, cuja retórica anti-imigração é amplamente conhecida.

No parlamento, o chefe do governo do Reino Unido justificou a sua posição com "os erros do Iraque", numa referência à campanha conjunta de 2003 com os EUA naquele país árabe, cujas motivações -- a iminência de o regime iraquiano de Saddam Hussein conseguir uma arma nuclear -- são ainda hoje amplamente contestadas. "Aprendemos a lição. O Reino Unido tem de ter sempre uma base legal e um plano viável e pensado", disse Starmer.

A posição do primeiro-ministro trabalhista tem merecido críticas dos partidos conservadores britânicos, que defendem uma intervenção mais musculada do Reino Unido no conflito. Já os Trabalhistas e os Verdes, à esquerda, opõem-se à ideia. 

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8