Moscovo diz estar disposto a "mediar" um fim do conflito no Médio Oriente.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, pediu esta segunda-feira garantias de segurança para o Irão como uma das condições para o fim do atual conflito com os Estados Unidos e Israel, algo que Moscovo recusa no caso da Ucrânia.
"Aqui são necessárias garantias. Compreendo perfeitamente que o Irão necessita desse tipo de garantias", disse Lavrov em conferência de imprensa após se reunir com o homólogo queniano, Musalia Mudavadi, de visita a Moscovo.
A este respeito, sublinhou que a Rússia está "disposta a desempenhar" neste processo "um papel de mediador, se for necessário", tal como o Presidente russo, Vladimir Putin, assegurou, mais do que uma vez.
"Considero que dispomos dessas capacidades", afirmou, defendendo a cessação "urgente" das ações militares e manifestando-se a favor de uma "solução política".
O primeiro passo para isso, indicou, deve ser suspender de imediato os ataques que danificam infraestruturas civis e "causam vítimas entre a população civil, tanto dos países árabes do Golfo como da República Islâmica do Irão".
Lavrov recordou que, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Irão será "completamente destruído", o exército israelita afirma que ainda existem "milhares de alvos" na República Islâmica e que os bombardeamentos prosseguirão "durante três semanas, no mínimo".
"Por isso, é difícil prever as consequências desta crise e em que poderá terminar se agora, de imediato, não pararmos, não recuperarmos a razão e não começarmos a chegar a acordos que desta vez não sejam sabotados", afirmou.
O chefe da diplomacia russa afirmou que os EUA e Israel "já compreenderam agora, seguramente, quão errados estavam" quando pensavam que "em poucas horas" conseguiriam a rendição do Irão, que, acrescentou, "naturalmente se defende".
O Irão "responde à agressão com ataques contra infraestruturas militares que os seus atacantes possuem na região. E, infelizmente, também sofrem os países" do Golfo Pérsico, disse.
Putin manteve, desde o início do conflito, duas conversas telefónicas com o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que agradeceu a ajuda.
Trump afirmou na passada sexta-feira acreditar que a Rússia está a ajudar "um pouco" Teerão.
"Sabem, é como... bem, eles fazem-no e nós também. Para ser justo, eles fazem-no e nós também", acrescentou.
Desde o início dos ataques, em 28 de fevereiro, a Rússia terá partilhado dados de localização de alvos militares norte-americanos na região para ajudar Teerão a planear a resposta com mísseis e 'drones', segundo noticiaram vários meios de comunicação norte-americanos, como o The Washington Post e a CNN.
Sobre o conflito com a Ucrânia, iniciado com a invasão russa, a 24 de fevereiro de 2022, o Kremlin descartou uma eventual perda de interesse por parte de Trump no processo de negociações para pôr fim à guerra em solo ucraniano.
"A julgar pelas suas declarações, o Presidente Trump não perdeu o interesse. Mais ainda, recomenda insistentemente que [o Presidente ucraniano, Volodymyr] Zelensky chegue a um acordo", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, na habitual conferência de imprensa telefónica diária.
O Kremlin observa que os Estados Unidos estão atualmente ocupados com outras questões. "As prioridades dos negociadores norte-americanos são agora diferentes; têm muito trabalho a fazer noutras áreas, o que é bem conhecido", sublinhou.
Apesar disso, Moscovo, cuja atitude desde o início se tem caracterizado por prolongar os prazos do processo negocial, mostra-se disposta a retomar as conversações.
"A parte russa está aberta a continuar o processo de negociação. Esperamos a próxima ronda de conversações, embora infelizmente ainda não tenham sido acordados o local nem a data, mas acreditamos que será num futuro próximo", acrescentou.
As negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia foram interrompidas pelos ataques de Israel e dos EUA contra o Irão, o que desencadeou uma guerra na região e o encerramento da rota comercial que atravessa o estreito de Ormuz. A última ronda trilateral decorreu na cidade suíça de Genebra, pouco antes do início do conflito no Irão.
Nela participou novamente como chefe da delegação russa Vladimir Medinsky, um dos principais ideólogos do atual ultranacionalismo russo, que considera o território da Ucrânia como parte da Rússia e que se mostra inflexível nas exigências de Moscovo para pôr fim ao conflito armado, que entrou há menos de um mês no seu quinto ano.
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