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Seis futebolistas da seleção feminina iraniana que recusaram cantar o hino aceitaram asilo na Austrália

Seis jogadoras permanecem na Austrália e foram transferidas para um local que não foi revelado, por motivos de segurança.

11 de março de 2026 às 12:21

Seis jogadoras da seleção feminina do Irão de futebol ficaram na Austrália com vistos humanitários, após negociações de última hora no aeroporto de Sydney, onde foram separadas da restante delegação, para garantir que pudessem escolher livremente.

O ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, confirmou que as mulheres aceitaram vistos de residência permanente após reuniões "emocionais" no terminal, onde foram separadas da delegação para garantirem que decidiriam sem pressões externas.

Uma sétima futebolista chegou a aceitar o asilo, mas mudou de ideias antes da partida do voo, optando pelo regresso após contactos com a equipa e a embaixada iraniana.

"Tudo se resumia a garantir a dignidade dessas pessoas para que pudessem fazer uma escolha", disse Tony Burke, sublinhando, contudo, que não era possível retirar a pressão das eventuais consequências para membros das suas famílias.

As seis futebolistas que permanecem na Austrália foram transferidas para um local que não foi revelado, por motivos de segurança.

Burke garantiu que não vão ter de enfrentar processos judiciais para obter residência permanente e que vão receber apoio médico, habitacional e social.

O pedido de asilo surgiu na sequência do incidente que ocorreu na estreia iraniana na competição frente à Coreia do Sul, no dia 02 de março, quando as futebolistas iranianas decidiram não cantar o hino nacional, num gesto interpretado como apoio aos protestos contra o regime de Teerão.

A situação atraiu atenção internacional, com grupos de direitos humanos e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a apelarem à proteção das futebolistas contra eventuais represálias do governo de Teerão.

Em resposta, o primeiro vice-presidente do Irão Mohammad Reza Aref rejeitou as preocupações com a segurança das jogadoras, afirmando que o país as recebe de "braços abertos" e acusando entidades externas de interferência política.

Segundo as autoridades, algumas futebolistas não receberam vistos por alegadas ligações à Guarda Revolucionária iraniana.

A dimensão exata da delegação não foi confirmada, mas a lista oficial da equipa incluía 26 jogadoras, além de treinadores e outros funcionários.

A Confederação Asiática de Futebol confirmou que a equipa viajou de Sydney para Kuala Lumpur, onde permanece num hotel enquanto aguarda confirmação dos planos de viagem.

"A AFC fornecerá todo o apoio necessário à equipa durante a sua estadia até que os seus planos de viagem sejam confirmados", lê-se num comunicado.

Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, que respondeu com ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos também atingiram Chipre, Azerbaijão e Turquia.

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