Seleção feminia acabou por cantar o hino no segundo e terceiro jogo da fase de grupos.
O presidente dos Estados Unidos apelou esta segunda-feira à Austrália que conceda asilo às futebolista da seleção feminina iraniana que se recusaram a cantar o hino, advertindo que, se regressarem ao Irão, "certamente serão mortas".
Através da rede social Truth Social, Donald Trump classificou o eventual retorno das jogadoras ao Irão como um "terrível erro humanitário".
O presidente norte-americano dirigiu-se ao primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, para assegurar que: "os Estados Unidos irão acolhê-las se vocês não o fizerem".
O incidente ocorreu na estreia iraniana na competição frente à Coreia do Sul, na passada segunda-feira, quando as futebolistas decidiram não cantar o hino nacional, num gesto interpretado como apoio aos protestos contra o regime de Teerão. A imprensa estatal iraniana classificou a conduta como traição em tempo de guerra e exigiu punições severas.
A Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPro) exigiu esta segunda-feira garantias de segurança para as jogadoras, tendo o seu presidente, Beau Busch, revelado que a organização perdeu o contacto direto com o grupo após a escalada do conflito militar no Médio Oriente.
Perante o risco de represálias, uma petição dirigida ao Governo australiano já reuniu mais de 68.500 assinaturas a solicitar asilo político às jogadoras. Na última noite, um grupo de manifestantes tentou bloquear o autocarro da equipa à saída do estádio, gritando "salvem as nossas meninas".
As jogadoras, que acabaram por cantar o hino nos segundo e terceiro jogos da fase de grupos, concluíram a participação no torneio no domingo.
A qualificação da seleção feminina iraniana para esta prova --- a primeira desde 2002 --- foi amplamente celebrada por ativistas dos direitos humanos, num contexto de repressão que já causou 3.117 mortes confirmadas pelo regime islâmico, podendo o número real ser três vezes superior, segundo organizações internacionais.
Em 28 de fevereiro, uma ofensiva militar dos EUA e de Israel resultou na morte do líder supremo do Irão, o 'ayatollah' Ali Khamenei. Em resposta, Teerão lançou ataques de retaliação contra alvos norte-americanos e diversos países da região, incluindo Arábia Saudita, Jordânia e Iraque.
Até ao momento, o primeiro-ministro Anthony Albanese e as autoridades de imigração australianas não emitiram qualquer comentário oficial sobre o pedido de asilo.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.
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