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Turquia quer Estreito de Ormuz reaberto o mais depressa possível

Chefe da diplomacia turca reconheceu o risco de um impasse sobre o programa nuclear do Irão.

13 de abril de 2026 às 11:04

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, reclamou esta segunda-feira a reabertura do Estreito de Ormuz "o mais depressa possível", após o fracasso das negociações de domingo entre Irão e Estados Unidos.

"O que dizemos é que as negociações necessárias com o Irão devem realizar-se, que é preciso dar provas de persuasão e que o estreito deve ser reaberto o mais depressa possível", insistiu Fidan durante uma entrevista em direto à agência de notícias estatal Anadolu.

A Turquia envolveu-se nas transações com o Egito e o Paquistão antes da realização dos primeiros encontros diretos, no fim de semana, em Islamabad, entre as delegações do Irão e dos Estados Unidos, interrompidos no domingo de manhã.

"Mantivemo-nos em contacto com as partes envolvidas nas negociações ao longo do dia, a fim de considerar o que podemos fazer", prosseguiu Fidan.

O chefe da diplomacia turca reconheceu o risco de um impasse sobre o programa nuclear do Irão.

"Se a questão nuclear se resumir a uma situação de tudo ou nada, em particular sobre o enriquecimento [de urânio], poderemos estar confrontados com sérios obstáculos", admitiu.

Os Estados Unidos anunciaram que vão iniciar o bloqueio dos portos do Ião a partir das 15h00 de esta seguda-feira (hora de Lisboa) na sequência da falta de acordo após 20 horas de negociações realizadas no fim de semana na capital do Paquistão.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, justificou o bloqueio do Estreito de Ormuz, que liga os golfos da Arábia e de Omã, com o que disse ser a recusa do Irão de renunciar às ambições nucleares.

A guerra em curso no Médio Oriente foi desencadeada por uma ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel lançada em 28 de fevereiro, quando decorriam negociações entre Washington e Teerão precisamente sobre o programa nuclear iraniano.

As partes interromperam as hostilidades na sexta-feira para as conversações de Islamabad e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia encorajou Teerão e Washington a manter o cessar-fogo.

"Pelo que sei, as duas partes são sinceras sobre o cessar-fogo", declarou Hakan Fidan à Anadolu, de acordo com a agência de notícias France-Press (AFP).

A guerra iniciada pela ofensiva israelo-americana, a que o Irão respondeu com ataques a Israel e a países da região, terá causado mais de quatro mil mortos até à trégua iniciada na sexta-feira, maioritariamente no Irão e no Líbano.

Provocou também subidas nos preços do petróleo dado o bloqueio pelo Irão do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção de energia mundial, o que fez recear uma crise inflacionária global.

O chefe da diplomacia turca disse que Ancara defende o regresso à situação anterior à guerra, sem uma portagem para atravessar uma via marítima essencial para o comércio mundial, como ameaçou o Irão.

"Os países da região com os quais falei estão preocupados com uma coisa: querem regressar, após a guerra, ao regime em vigor antes do conflito", insistiu.

Fidan lembrou que "se trata de uma zona internacional de livre passagem".

"A violação desta liberdade de passagem e desta segurança não é desejável para nenhuma das partes", afirmou.

O ministro turco acrescentou que pelo estreito transita não só petróleo e gás, mas também "géneros alimentares e outras mercadorias destinadas aos países do Golfo".

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